Opositor acusa Maduro de uso eleitoral do último ato dos funerais de Chávez

Na última etapa do velório público do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o caixão com o corpo do líder foi trasladado ontem da Academia Militar do Forte Tiúna para o Quartel da Montanha, no bairro de 23 de Enero, um dos principais redutos chavistas da capital. Sob críticas do candidato da oposição à presidência, Henrique Capriles, que acusou o governo de usar politicamente o evento, líderes chavistas exaltaram os feitos do presidente.

CARACAS, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2013 | 02h01

Ainda no Forte Tiúna, discursaram o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello, María Gabriela Chávez, uma das filhas do líder bolivariano, e o general Jacinto Pérez Arcay. A cerimônia foi liderada pelo presidente interino Nicolás Maduro. O presidente da Bolívia, Evo Morales, acompanhou o féretro.

"Chávez converteu-se num presidente exemplar, o único que se lembrou dos pobres. Aqueles que dizem que não temos mais Chávez estão equivocados. Agora, sim, Chávez vai nos acompanhar", disse Cabello, que fez o principal discurso das autoridades chavistas. "Temos de cumprir as ordens do comandante: unidade, luta combativa e vitória."

A filha mais nova de Chávez disse, emocionada, que seu pai "devolveu a pátria à Venezuela". A mãe do presidente, Elena, não deu declarações e chorou muito. As duas se aproximaram do caixão e juntaram-se aos outros três filhos do líder. "Você é um gigante. Voe livremente e respire profundamente juntamente aos ventos do furacão", disse a filha de Chávez. "Cuidaremos da pátria mãe para você."

Tapetes vermelhos foram estendidos na Avenida dos Próceres, que leva à Academia Militar. Cadetes do Exército saudaram a cerimônia fúnebre. Eles cantaram a música Pátria Querida, interpretada pelo presidente em sua última mensagem aos venezuelanos, em dezembro.

Escoltado por automóveis, o caixão percorreu as ruas da capital em carro aberto, até o Quartel da Montanha. A multidão que acompanhava o féretro cantava as palavras de ordem: "Chávez, te juro, eu voto no Maduro". Ambulantes vendiam bandanas e faixas com a frase pelo trajeto. "Trouxe 500 delas e se esgotaram rapidamente", disse o vendedor Miguel Angel, de 43 anos.

Crítica. O candidato da oposição à presidência venezuelana, Henrique Capriles, criticou o uso político da cerimônia. "Exortamos a todos aqueles que usam indiscriminadamente o nome do presidente para obter votos para interromper esse método perverso de proselitismo eleitoral", pediu Capriles. "Vamos ter uma campanha decente, sem vantagens injustas ou abuso de poder."

Nas ruas, a campanha para "santificar" Chávez continua a todo vapor. O presidente interino comparou Chávez ao libertador Simón Bolívar e a Jesus Cristo. Segundo ele, os três tinham "desapego material". "O Cristo dos pobres da nossa América foi o comandante Chávez", disse Maduro. No dia da eleição do papa Francisco, o líder chavista disse que o presidente já tinha feito seu primeiro milagre no céu ao contribuir para a eleição de um papa latino-americano - Francisco é argentino. / AP, AFP e REUTERS

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