Opositor afirma que novo governo de unidade da Tunísia é 'falso'

Para Moncef Markuzi, nova gestão não conseguirá realizar eleições limpas nem coibir violência

Efe

17 de janeiro de 2011 | 16h30

PARIS - O opositor tunisino Moncef Markuzi considerou como falso o governo de unidade nacional anunciado nesta segunda-feira, 17, pelos líderes interinos da Tunísia e disse que a decisão não garantirá eleições "livres e honestas".

 

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Em entrevista à imprensa local, Markuzi, dirigente do partido Congresso para a República, ilegalizado durante o regime de Zine Abidine Ben Ali, apontou que os cargos de maior importância do governo permaneceram com aliados do presidente, o Agrupamento Constitucional Democrático, e que isso é "uma brincadeira com o povo".

 

Ele também desconsiderou a entrada de três dirigentes opositores no novo governo, algo impensável durante o regime de Ben Ali. "Sinto-me indignado, disse Markuzi, dizendo que "de unidade, o novo governo não tem mais que o nome" e não haverá como acalmar a situação dos protestos e nem como promover eleições livres.

 

Markuzi destacou a necessidade de "devolver o poder aos tunisinos" e confirmou que deve ser candidato às eleições. O opositor disse que para que o pleito seja limpo e transparente, "são necessárias novas leis e uma nova Constituição".

 

O primeiro-ministro tunisino, Mohammed Ghannouchi, anunciou o novo governo de unidade na tentativa de apaziguar os protestos que tomaram conta das ruas da capital Túnis nos últimos dias. Os manifestantes começaram marchando contra a corrupção, mas o movimento posteriormente ganhou motivações políticas.

 

Os manifestantes tomaram as ruas também nesta segunda-feira para pedir a entrada de opositores no governo. Alguns deles pediram a renúncia de todos os aliados de Ben Ali. As forças de segurança estão em alerta no país e tiveram de agir contra a multidão que marchava nas ruas da capital.

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