Opositor anuncia retorno ao Bahrein

Acusado de conspiração, Hassan Meshaima diz que volta hoje a seu país, o que pode causar mais protestos no pequeno emirado

, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2011 | 00h00

MANAMA

O retorno de uma importante figura da oposição ao regime do Bahrein, Hassan Meshaima, poderá dar um novo fôlego aos protestos que deixaram seis mortos no pequeno emirado semana passada. Líder do movimento Haq, o ativista é acusado pelo emirado de conspiração contra o Estado e atualmente vive na Grã-Bretanha.

Ontem, no mesmo dia em que o GP do Bahrein foi cancelado, um apoiador afirmou que Meshaima - "autoexilado" há oito meses - deve chegar ao solo bahreinita até a noite de hoje. Abbas Omran confirma o retorno do militante sem dar detalhes.

No sábado, manifestantes beijavam o chão e se abraçavam na Praça Pérola, onde os protestos foram concentrados. "Agora a estamos chamando de "Praça dos Mártires"", disse Layla, uma estudante de 19 anos. "Algum dia, a liberdade virá. Ela não é uma coisa dada por alguém. É um direito." Zaki, um especialista em computadores, acrescentou: "Se o Egito pôde fazê-lo, então nós podemos fazer melhor."

Durante décadas, os EUA protegeram autocracias corruptas e repressivas por todo o Oriente Médio, fechando os olhos para a tortura e a repressão em parte por receio.

No Bahrein, os americanos acomodaram-se com uma elite minoritária sunita que tem governado um país tolerante, aberto e economicamente dinâmico - mas se trata de uma elite que também está afundada em corrupção, repressão e uma profunda discriminação contra a população xiita.

A estudante de medicina Ghadeer, de 20 anos, contou que todas suas colegas sunitas ganham bolsas do governo e empregos no setor público. Segundo ela, "os xiitas pagam para estudar e não conseguem trabalho no setor público". Da mesma forma, os xiitas são quase inteiramente impedidos de entrar na polícia e nas Forças Armadas que, aliás, dependem de mercenários de países sunitas. / AP e NYT

FICHA TÉCNICA

O BAHREIN

Aliado dos EUA, tem a economia mais desenvolvida do Golfo

Chefe de Estado

al-Khalifa

Dinastia no poder

desde 1783

População

738 mil

Área

760 km2

Língua oficial

Árabe

Geopolítica

Abriga a 5ª frota

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