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Opositor ao chavismo preso desde abril morre na prisão na Venezuela

Ex-piloto de aviação, Rodolfo González foi denunciado por colaboradores do governo que o acusaram de incitar violência 

O Estado de S. Paulo

13 Março 2015 | 11h26

Atualizada às 23h33 CARACAS -O militante de oposição venezuelano Rodolfo González, preso desde o ano passado no quartel-general do serviço secreto venezuelano (Sebin), foi encontrado morto ontem em sua cela, no mesmo dia em que seria transferido para um centro de detenção comum. Segundo seu advogado, González cometeu suicídio por temer a transferência. O governo do presidente Nicolás Maduro prometeu investigar o caso. 

O opositor, um ex-piloto de 64 anos, foi preso em abril sob a acusação de incitar protestos violentos contra o governo. Em um pronunciamento em rede nacional à época, Maduro se referiu a ele como “O Aviador” e o acusou de ser “o cérebro da conspiração” contra ele. González sofria de uma doença periodontal e seus órgãos teriam se deteriorado na prisão. A morte foi confirmada pela filha de González, Lissete. 

“Depois que confirmaram sua transferência para uma prisão comum, ele lamentavelmente decidiu se enfocar”, disse o advogado José Vicente Haro. “Ele estava angustiado porque seria transferido para um presídio comum, com detentos de alta periculosidade.”

Investigação. O Ministério Público venezuelano designou a procuradora Raiza Sifontes para investigar as circunstâncias da morte de González. “A promotora recolherá os elementos necessários para a investigação que determinará as causas da morte”, informou por meio de nota a Procuradoria-Geral. O governo venezuelano, no entanto, negou que pretendesse transferir o detento para um presídio.

Segundo a família do ex-piloto de aviões civis, ele foi preso depois de ter sido denunciado por “um patriota colaborador” - chavistas incentivados pelo governo a delatar opositores. Dono de uma agência de viagens no reduto oposicionista de Chacao, na zona leste de Caracas, ele foi preso sob as acusações de associação para cometer crimes, tráfico de armas e posse de explosivos ilegais, mas nunca foi julgado. 

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“Depois que confirmaram sua transferência para uma prisão comum, ele lamentavelmente decidiu se enfocar”
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Para Lissete, ao implicar seu pai como líder dos protestos, Maduro, na prática, deu uma “ordem judicial pela TV” para que ele continuasse detido, mesmo que não houvesse provas. O advogado do opositor acrescentou que González participou dos protestos como qualquer cidadão e negou que ele tivesse armas e explosivos.

O governo deteve centenas de opositores sob a acusação de provocar violência nas manifestações, incluindo políticos como Leopoldo López, ainda detido na prisão militar de Ramo Verde.

Críticas. A oposição venezuelana criticou a morte de González. “Nos informam que o preso político Rodolfo González apareceu morto em sua cela. Supostamente, se matou”, escreveu em sua conta no Twitter a deputada Delsa Solorzano, do partido Nuevo Tiempo. “Enquanto o regime continuar perseguindo inocentes só por pensar diferente, a Venezuela continuará se enchendo de luto.”

Em Miami, o grupo opositor exilado Venezuela Awareness Foundation (VAF) lamentou a morte do opositor. “A decisão extrema de Rodolfo González nos calabouços do Sebin foi produto da tortura psicológica à qual foi submetido desde sua prisão em 26 de abril de 2014”, disse o grupo em nota.

“A comunidade internacional precisa estar em alerta para a vingança que o regime venezuelano orquestrará contra os presos políticos do país depois das sanções anunciadas pelos Estados Unidos.”

Pressão. Ontem, Maduro baixou o tom da retórica contra o governo americano ao pedir novamente o fim das sanções contra líderes chavistas. “Estendo a mão ao governo americano para que avancemos juntos em diálogos francos, para que se resolva esse grave problema que foi criado”, disse o presidente em um ato no Estado de Vargas. “É falso que a Venezuela seja uma ameaça para o governo americano. É um exagero desproporcional e vulgar que os Estados Unidos tenham declarado isso.”

No começo da semana, o presidente americano, Barack Obama, decretou novas sanções, incluindo congelamento de bens e restrição de vistos, contra sete autoridades venezuelanas, acusadas de violações dos direitos humanos. / EFE, AP e AFP

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