JUAN MABROMATA | AFP
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Opositor argentino diz que Dilma terá mais diálogo com ele que com Cristina

Em entrevista a jornalistas estrangeiros, Mauricio Macri volta a dizer que Brasil será primeiro destino de viagem oficial caso vença o 2º turno no dia 22 contra o governista Daniel Scioli

Rodrigo CavalheiroCORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2015 | 06h37

O candidato conservador à presidência argentina, Mauricio Macri, esbanjou confiança nesta terça-feira, 10, quando questionado sobre possíveis problemas entre um governo de direita liderado por ele e o brasileiro. “Acho que será mais fácil Dilma (Rousseff) entrar em acordo comigo do que com Cristina”, afirmou.

Macri convocou correspondente estrangeiros, pelos quais foi entrevistado durante 40 minutos. Sua campanha não contou com apoio externos explícitos, como ocorreu com o governista Daniel Scioli, seu rival no segundo turno que será disputado dia 22.

Scioli teve ajuda de Luiz Inácio Lula da Silva em um comício em Buenos Aires e foi recebido pela presidente Dilma Rousseff quatro dias antes do primeiro turno, dia 25. O governista voltou então à Argentina dizendo ter conseguido da presidente a promessa de ajuda para ampliar as reservas argentinas, na faixa de US$ 26 bilhões. Segundo Scioli, um acordo com o Banco Central brasileiro permitiria aumentar em US$ 10 bilhões esse volume.

Questionado se esperava contar também com essa ajuda, pertencendo a outra linha ideológica, Macri desconversou. Repetiu que o Brasil seria o primeiro país a visitar como presidente. “Espero trabalhar com a presidente atual e a instabilidade institucional e econômica seja resolvida o quanto antes.”

Ele evitou se definir em termos políticos. “Nossa ideologia é fazer.” Algumas de suas posições sobre comportamento, entretanto, dão pistas. Ele se declarou contra o aborto. E afirmou que o matrimônio gay, aprovado em 2010 pelo kirchnerismo com oposição de sua bancada, começou em Buenos Aires, que governa há oito anos. “Cumprimos uma decisão da Justiça que determinava o casamento de um casal gay”, disse. Sua candidata a vice, Gabriela Michetti, se disse após o primeiro turno arrependida por ter sido contra as uniões homossexuais. Sua frase foi usada pela presidente Cristina Kirchner para alertar eleitores de que a coalizão Cambiemos, de Macri, poderia se arrepender de outras coisas.

Embora tenha adotado três eixos vagos como plataforma – unir os argentinos, combater o narcotráfico e acabar com a pobreza –, Macri é direto quanto a suas primeiras medidas econômicas. Ele defende o fim do controle cambial no país no dia de sua posse. “Em 10 de dezembro, será possível ir a uma casa de câmbio comprar dólares”, afirmou. Desde 2011, em decorrência do baixo volume de reservas, o kirchnerismo limita o acesso à moeda estrangeira. Isso criou um mercado paralelo – o dólar era vendido ontem a 14,45 pesos, enquanto no oficial, sua cotação era de 9,60 pesos. A medida também travou o comércio exterior, já que importadores e exportadores têm acesso restrito à moeda.

Scioli afirma que a liberação repentina do câmbio provocaria uma desvalorização brusca do peso, com reflexo na inflação. Macri garante que conseguirá impedir isso com investimentos externos. “Esperamos reativar o Mercosul, que está paralisado, e fazer contatos com a Parceria Transpacífico”, disse, referindo-se ao bloco comercial de 12 países aprovado há um mês.

Embora não tenha obtido apoios externos ostensivos como Scioli – que recebeu em Buenos Aires o uruguaio José Mujica e o boliviano Evo Morales, Macri faz desde o início do ano movimentos de reaproximação com o Brasil –, este ano, o comércio entre os dois países voltou ao nível de 2009. Em 12 de fevereiro, Macri foi o único dos candidatos a argentina a ser recebido pelo o chanceler brasileiro Mauro Vieira quando este visitou Buenos Aires, onde foi embaixador entre 2004 e 2010.

“O apoio de líderes estrangeiros ajuda pouco. São mais simbólicos para dentro do partido que para fora, para o eleitor”, avalia o sociólogo e consultor Ricardo Rouvier.

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