Opositor comparece a audiência judicial na Venezuela

Leopoldo López é acusado de provocar a violência em protestos antigoverno que deixaram 43 mortos

GUILHERME RUSSO , ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2014 | 02h01

O opositor venezuelano Leopoldo López, preso há pouco mais de seis meses, no início da onda de protestos antigoverno que deixou 43 mortos no país, compareceu ontem à terceira audiência do processo que o acusa de provocar a violência durante as manifestações - que reivindicavam a renúncia do presidente Nicolás Maduro.

Segundo advogado que coordena a defesa do acusado, Juan Carlos Gutiérrez, cinco policiais seriam ouvidos como testemunhas. Em clima de ato político, o defensor e a mulher de López, Lilian Tintori, deram declarações à imprensa ao lado do Palácio de Justiça de Caracas pouco antes da audiência, no início da tarde, em meio a cartazes do partido Vontade Popular, ao qual pertence o ex-prefeito de Chacao, e uma claque com aproximadamente 20 correligionários.

"Estamos convencidos de que se os funcionários que comparecem no dia de hoje (ontem) disserem a verdade, isso vai servir para produzir certeza sobre o argumento que sempre sustentamos com a mais absoluta veracidade e contundência: que as palavras de López, jamais, sob nenhuma interpretação, estiveram dirigidas a produzir danos", disse o advogado do político, que foi indiciado por incêndio, incitação à violência, dano à propriedade pública e associação para o crime. Se condenado por todas as acusações, o líder do movimento "A Saída" poderá pegar até 13 anos de cadeia.

Seu advogado disse que "as palavras de López jamais, no contexto de sua expressão, como um dirigente político, podem ser, em um país democrático, consideradas delitos". Segundo Gutiérrez, duas "testemunhas-chave" de acusação interpretaram "com muitas falhas" o discurso de seu cliente, mas eles serão interrogados novamente.

"Leopoldo continua sob isolamento. Quando o transportam, o colocam no porão do Palácio de Justiça e o mantêm isolado, disse o advogado, afirmando que "isso é parte das violações de direitos humanos" contra seu cliente. "Exigimos que essa situação se encerre", declarou. Segundo o defensor, López está com problemas visuais, em razão da falta de luz e as autoridades venezuelanas não o permitem visitar um oftalmologista.

Gutiérrez preferiu não informar que provas e argumentos usará para defender seu cliente. "De alguma maneira, vai ficar provado que a violência de 12 de fevereiro está intimamente relacionada a atos de funcionários policiais, vinculados com a mortes do jovem Basil (da Costa) e o sr. Juancho Montoya. "Esse foi o fato que provocou a violência (naquele dia). Temos de ser estratégicos."

"Como sempre, chegamos com a cabeça erguida. Leopoldo é inocente. Esse julgamento é injusto é um julgamento político. Tive a oportunidade de conversar com Leopoldo e ele mandou uma mensagem. Leopoldo manda dizer aos jovens da Venezuela, Leopoldo manda dizer aos estudantes, que não percam a fé, que continuem firmemente apegados aos seus direitos", declarou Lilian Tintori, que afirmou que o marido "está bem, está forte"

"Esse julgamento é injusto. Esse julgamento é político, um julgamento cheio de vícios. Não aceitaram nenhuma testemunha para a defesa de Leopoldo. E a promotoria - ou melhor, o governo - tem 78 testemunhas, das quais, 76 são do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela, de Maduro)."

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