Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Opositor cubano diz que alta não para greve

Fariñas, que está sem comer há 21 dias, admite que sua saúde está debilitada, mas se recusa a abandonar jejum

AP, Afp, Efe, O Estadao de S.Paulo

17 de março de 2010 | 00h00

SANTA CLARA, CUBA

O dissidente cubano Guillermo Fariñas completou ontem 21 dias de greve de fome e reconheceu que seu corpo não aguentará muito mais tempo caso siga com o jejum. Mesmo assim, o opositor garantiu que continuará com seu protesto depois que receber alta do hospital.

"Eu vou morrer com minhas ideias, é uma oportunidade histórica que não deixarei passar", disse Fariñas. "Ao morrer, estou demonstrando ao governo (cubano) que ele tem de se conter conosco porque estamos dispostos a ir até as últimas consequências."

O jornalista e psicólogo, de 48 anos, iniciou sua greve de fome no dia 24 para pedir a libertação de 26 presos políticos que estão doentes (mais informações nesta página). O jejum também é uma forma de protesto contra a morte de Orlando Zapata Tamayo, preso político que morreu no fim de fevereiro após passar 85 dias em greve de fome.

Esta é a 23.ª greve de fome realizada por Fariñas, que foi internado na semana passada após sofrer seu segundo colapso no mês. Desde que foi hospitalizado, o dissidente é alimentado por via intravenosa e recebe cuidado constante de médicos do sistema de saúde público. O estado de saúde do opositor é grave, porém estável.

"De uma hora para outra, uma série de bactérias tóxicas presentes nos intestinos pode invadir meu corpo e causar complicações, pondo um fim à minha vida", afirmou Fariñas, que disse não saber ao certo quando deixará o hospital no qual está internado em Santa Clara, cidade a 280 quilômetros ao leste de Havana.

Manifestação. As Damas de Branco, grupo de mães e mulheres de presos políticos cubanos, realizaram ontem seu segundo dia de protesto contra o governo para pedir a libertação de seus parentes e o respeito aos direitos humanos na ilha. "Liberdade!", exclamava o grupo, cujos integrantes caminhavam pelas ruas segurando flores.

O protesto coincidiu com o sétimo aniversário da primavera negra, ofensiva do regime de Fidel e Raúl Castro contra a oposição, iniciada em 18 de março de 2003, que resultou na prisão e condenação de 75 dissidentes.

A marcha de cerca de 2o mulheres foi repudiada por 150 partidários do governo, que gritavam palavras de apoio a Fidel e à Revolução Cubana. Agentes do governo, vestidos como civis, tentaram manter a ordem no local, evitando confrontos violentos entre os dois grupos de manifestantes. /

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.