Opositor de Maduro falta a audiência para ampliar pressão internacional

Preso desde fevereiro, o líder opositor venezuelano Leopoldo López pressiona a Justiça de seu país a responder a um pedido feito pela Organização das Nações Unidas no dia 8 por sua libertação. Na tarde da terça-feira, López, que é acusado de delitos relacionados à violência ocorrida nos protestos antigoverno deste ano na Venezuela, recusou-se a comparecer a uma audiência de seu julgamento, para expressar seu protesto.

CARACAS, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2014 | 02h03

O líder do partido Vontade Popular, que no início do ano pedia a renúncia do presidente Nicolás Maduro nas manifestações que conclamou juntamente com a ex-deputada María Corina Machado, no âmbito do movimento denominado "A Saída", negou-se a deixar a prisão militar de Ramo Verde - citando a demora da Justiça venezuelana em se pronunciar sobre a declaração da ONU.

O Grupo de Trabalho de Detenções Arbitrárias das Nações Unidas considerou injustificável a detenção de López e pediu sua libertação. Na semana passada, o Alto-Comissariado da ONU para Direitos Humanos reiterou o pedido de liberdade para o opositor.

O grupo de trabalho afirmou que a prisão do venezuelano "parece sustentada num motivo de discriminação, com base em opções e opiniões políticas". O organismo qualificou de "ilegal" o fato de López ser mantido em isolamento e de sua comunicação com seus advogados ser dificultada. Autoridades venezuelanas negam, porém, essas alegações, afirmando que López pode conversar por telefone e assistir à televisão.

A mulher do opositor preso, Lilian Tintori, publicou no Twitter um manuscrito que afirmou ser do marido, em que ele explica suas "razões" para não comparecer em juízo. "Passaram 20 dias e o tribunal não emitiu resposta (para o pedido da ONU por sua libertação)", diz. López, que assina a carta como um "preso de consciência", alega que a corte "tem obrigação" de responder à solicitação da ONU.

O opositor foi indiciado em abril por incêndio, incitação à violência, dano à propriedade pública e associação para o crime. Se condenado for por todas as acusações, poderá pegar até 13 anos de cadeia.

A Justiça não acatou nenhuma testemunha apresentada pelos advogados de López e não admitiu nenhuma prova apresentada pela defesa desde o início de seu julgamento, há três meses.

CIDH. Em resposta ao pedido da ONU pela libertação do opositor, o governo venezuelano defendeu na terça-feira na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), em Washington, que não é permitido pedir "a intervenção do sistema internacional" para a libertação de López.

"Esse cidadão é responsável - juntamente com outros líderes da oposição venezuelana - pela morte de 43 venezuelanos e (por) 169 feridos entre fevereiro e julho (por violência relacionada aos protestos)", disse Germán Saltrón, que representa Caracas na CIDH.

O venezuelano acusou o presidente americano, Barack Obama, de ter exigido, no discurso à Iniciativa Global Clinton, em 23 de setembro, a libertação de López - "por ser um se seus imperadores". Na ocasião, o líder solidarizou-se com a situação do venezuelano preso e de ativistas políticos de outros países.

Jornalistas. Entidades de defesa da liberdade de expressão na Venezuela denunciaram ontem à CIDH que a venda de meios de comunicação - que tem ocasionado mudanças nas linhas editoriais de veículos - e a falta de papel-jornal no país ocorridas durante o governo de Nicolás Maduro ocasionaram a demissão ou o desligamento voluntário de 289 jornalistas. / AP e EFE

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