EFE/ Stringer
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OEA vai monitorar contagem de votos na Bolívia após denúncia de opositor de Evo

Mesa questionou a interrupção da divulgação dos dados preliminares de contagem de votos

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2019 | 02h28
Atualizado 21 de outubro de 2019 | 18h07

LA PAZ - O governo da Bolívia e uma missão de observação da Organização dos Estados Americanos (OEA) concordaram nesta segunda-feira, 21, em estabelecer uma “equipe de acompanhamento permanente” para a apuração das eleições gerais realizadas no domingo, em um contexto de desconfiança com os dados já divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O chanceler boliviano, Diego Pary, confirmou a informação pelo Twitter.

A decisão foi anunciada depois que o candidato à presidência Carlos Mesa, principal opositor do atual presidente do país, Evo Morales, denunciou uma suposta tentativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) boliviano de manipular o resultado das eleições no país, que foram realizadas no domingo, 20. Mesa questionou a interrupção da divulgação dos dados preliminares de contagem de votos. 

Uma primeira contagem rápida apontou que Evo obteve 43,9% dos votos, enquanto Mesa conquistou 39,4%. Em sua quarta disputa eleitoral pela presidência, esta é a primeira vez na história que o presidente boliviano deve enfrentar um segundo turno. 

Em um vídeo publicado em sua conta oficial no Twitter, Mesa diz que o tribunal descumpriu com sua palavra ao não divulgar a recontagem dos votos até ter 100% das urnas apuradas. Segundo ele, o órgão liberou apenas um relatório por meio do TREP - sistema de acompanhamento eleitoral do país - quando 80% das urnas estavam apuradas, e interrompeu a recontagem.

"A partir de todas as contagens rápidas independentes, estamos no segundo turno com uma diferença que é inferior a 5 pontos entre o primeiro e o segundo. O que está acontecendo é tremendamente grave, ao ponto de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) fazerem um chamado de atenção, perguntando porque a recontagem foi interrompida. Não podemos aceitar que se tente manipular um resultado que obviamente nos leva ao segundo turno, que deve ser realizado de qualquer maneira", disse Mesa.

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Observadores da OEA também fizeram um pedido para que o "processo de publicação das informações de apuração ocorra de maneira fluida".

Dirigindo-se diretamente a seus eleitores, Mesa pediu que eles montassem vigílias por todo o país até que a recontagem seja "reiniciada sem nenhum tipo de manipulação" e que seja confirmado o resultado final.

A diferença entre o primeiro e o segundo colocado tem uma importância decisiva no processo eleitoral boliviano. Ao contrário do Brasil, onde um candidato é eleito em primeiro turno apenas se alcançar mais de 50% dos votos válidos, na Bolívia, caso o candidato alcance uma contagem superior a 40%, basta que a diferença em relação ao segundo mais votado seja de 10 pontos porcentuais para que ele seja eleito em 1.º turno.

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Itamaraty pede transparência

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil se manifestou sobre a apuração dos votos na Bolívia. Em sua conta no Twitter, o Itamaraty disse que acompanha com atenção a situação no país e expressou preocupação pela ausência de resposta das autoridades bolivianas ao questionamento da OEA.

O ministério também disse esperar que a apuração continue com transparência e lisura. /EFE E AP

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