Opositor diz que Sudão pode enfrentar distúrbios como o da Tunísia

Antigo mentor de Omar al-Bashir diz que líder falhou em dividir poder após protestos populares

Agência Estado

17 de janeiro de 2011 | 13h27

CARTUM - O líder opositor sudanês Hassan al-Turabi disse nesta segunda-feira, 17, que um levante parecido com o que ocorre na Tunísia é "provável" no Norte do país em razão dos crescentes problemas econômicos na região e os temores sobre a secessão do Sul.

 

Em entrevista concedida à agência de notícias France Presse, Turabi, antigo mentor que se tornou oponente do presidente Omar al-Bashir, disse que o líder fracassou em dividir o poder após os protestos populares, que podem levar a um banho de sangue.

 

"Este país já passou por levantes populares antes", disse Turabi, referindo-se a revoltas populares que derrubaram regimes no maior país da África em 1964 e 1985. "O que aconteceu na Tunísia é um lembrete. É provável que isso aconteça no Sudão", disse ele, fazendo referência ao protestos que levaram o presidente tunisiano Zine El Abidine Ben Ali a se refugiar na Arábia Saudita, após 23 anos de governo com mão de ferro.

 

"Se isso acontecer, haverá muito banho de sangue. Todo o país está armado. Essas pessoas não protestam, elas lutam", acrescentou. O governo suspeita que Turabi tem ligação com a facção rebelde mais bem armada de Darfur, o Movimento para a Justiça e Equidade.

 

Turabi acredita que a região de Darfur, oeste do país, onde há oito anos Cartum combate a rebelião, terá um papel importante num possível levante. "Eu tenho certeza de que se houver uma insurreição aqui, a região de Darfur tomará parte". Em maio de 2008, os combatentes do Movimento para a Justiça e Equidade lançaram uma marcha sobre Cartum, chegando à cidade de Omdurman, do outro lado do rio Nilo, e às proximidades do palácio presidencial antes de serem expulsos.

 

Turabi teve importante participação no golpe de 1989 que levou Bashir ao poder, mas passou longos períodos na cadeia ou sob prisão domiciliar por causa de seus comentários depois do rompimento entre os dois em 1999. Segundo ele, a secessão do Sul é uma questão que preocupa o Norte. As informações são da Dow Jones.

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