Opositor é eleito presidente de Taiwan

O nacionalista Ma Ying-jeou obtém 58% dos votos com a promessa de estreitar laços econômicos com China

Cláudia Trevisan, PEQUIM, O Estadao de S.Paulo

23 de março de 2008 | 00h00

O candidato de oposição ganhou ontem as eleições presidenciais de Taiwan com a promessa de estreitar os laços econômicos da ilha com a China, depois de oito anos de uma política de confrontação com o governo de Pequim promovida pelo atual presidente taiwanês, Chen Shui-bian.Ma Ying-jeou, do Partido Nacionalista (Kuomintang), venceu a disputa com 58% dos votos, contra 42% de seu adversário, Frank Hsieh, do governista Partido Democrático Progressista. Dos 17 milhões de eleitores, 75% compareceram às urnas, índice considerado alto.''As pessoas querem um governo limpo em vez de um corrupto'', afirmou Ma logo após a divulgação do resultado. ''Elas querem uma boa economia. Não querem brigas políticas. Querem paz no Estreito de Taiwan, não guerra.'' No discurso de vitória, ele pediu que a China pare de apontar mísseis para a ilha antes que os dois lados possam negociar um acordo de paz. ''Antes que possamos falar de paz, é preciso remover a ameaça.''Em janeiro, o Kuomintang já havia conseguido uma avassaladora vitória nas eleições legislativas, o que dará ao futuro presidente uma maioria tranqüila no Parlamento.Os dois referendos que decidiriam se Taiwan deve ou não pleitear uma cadeira na ONU fracassaram porque não atingiram o quórum mínimo de eleitores exigido pela legislação. Mas a maioria esmagadora dos 36% de eleitores que se manifestaram sobre o tema se declarou a favor da presença de Taiwan na ONU, o que, se ocorresse, levaria à independência formal da ilha em relação à China. A aprovação dos referendos era vista como inaceitável por Pequim, que ameaça ir à guerra caso Taiwan declare independência.Apesar de na prática ter um governo autônomo, sem nenhuma subordinação à China, a ilha não tem status de país perante a comunidade internacional. A maioria das nações respeita a política de ''uma só China'' imposta pelo Partido Comunista.Nos dias que antecederam a eleição, Frank Hsieh tentou minar o favoritismo de Ma com a exploração dos confrontos entre tibetanos pró-independência e forças policiais chinesas.Segundo Frank Hsieh, a aproximação de Taiwan com a China, defendida pelo nacionalista, representa uma ameaça à jovem democracia da ilha, que realizou sua primeira eleição presidencial direta em 1996.''Taiwan não é o Tibete. Também não é Hong Kong. É um país soberano e democrático'', rebateu o presidente eleito. Ma defende a criação de um mercado comum entre a ilha e a China e a intensificação das relações econômicas entre os dois lados do Estreito de Taiwan.A economia da ilha depende casa vez mais do destino da China. Nos últimos 20 anos, empresários taiwaneses investiram US$ 100 bilhões no continente, onde são donos de cerca de 70 mil empresas.Pequim aposta na crescente integração econômica para obter a reunificação ''pacífica'' entre os dois lados do estreito.A vitória de Ma marca a volta ao poder do Kuomintang, o antigo arqui-rival do Partido Comunista. As duas forças se enfrentaram durante anos na guerra civil vencida pelos comunistas em 1949. Sob o comando de Chiang Kai-chek, os nacionalistas derrotados fugiram para Taiwan e fundaram a República da China - em oposição à República Popular da China de Mao Tsé-tung. Os dois lados se declaravam legítimos representantes de toda a China e defendiam a reunificação. Em 1971, a República da China foi obrigada a ceder sua cadeira no Conselho de Segurança da ONU para a República Popular da China. Em protesto, a ilha se retirou da organização.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.