EFE/Miguel Gutiérrez
EFE/Miguel Gutiérrez

Opositor envolvido em ataque a Maduro se suicidou, diz chavismo

Fernando Albán estava preso em sede do serviço de inteligência e teria se jogado do 10º andar do prédio; partido nega versão oficial e acusa Nicolás Maduro de ordenar assassinato do vereador

O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2018 | 20h38

CARACAS - O vereador Fernando Albán, opositor ao governo de Nicolás Maduro e detido por um suposto atentado contra o presidente venezuelano, se suicidou nesta segunda-feira, 8, afirmou o procurador-geral da República Tarek William Saab. A morte aconteceu na sede do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) - agência de inteligência do país - em Caracas.

"O cidadão pediu para ir ao banheiro e, estando lá, se jogou do 10º andar", disse Saab à emissora estatal VTV. O Ministro do Interior, Néstor Reverol, publicou em seu Twitter que Albán estava na sala de espera da sede do Sebin e se lançou por uma das janelas da instalação.

Reverol lamentou a morte do vereador que, segundo ele, também estava "envolvido em atos desestabilizadores dirigidos do exterior". Segundo o ministro, Albán se suicidou "no momento em que ia ser levado ao tribunal".

O Ministério Público, por sua vez, afirmou ter designado dois procuradores para determinar as causas da morte.

Na sede do Sebin, o advogado de Albán, Joel García, falou que não se pode afirmar, nem negar que se tratou de um suicídio. "Como vamos falar de suicídio de uma pessoa que acaba de morrer? Como o procurador se atreveu a dizer isso? Antes de mais nada, algum órgão policial deve dizer que há uma investigação, já que pode ser suicídio, mas pode ser homicídio", afirmou.

O Primeiro Justiça (PJ), partido de Albán, rechaçou a versão oficial e afirmou que se tratou de um assassinato pelas mãos do regime de Maduro. A conta oficial do partido afirmou que recorrerá a órgãos nacionais e internacionais para punir os responsáveis.

Aliados do vereador também se manifestaram no Twitter e prestaram condolências à família. Henrique Capriles, um dos fundadores da legenda, garantiu que os amigos do político sabem que ele jamais atentaria contra a própria vida. Henry Allup, ex-presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, ressaltou que Alban estava incomunicável na sede da Sebin e classificou como inverossímil a versão do governo.

Vereador do município caraquenho de Libertador, Albán foi detido há uma semana, acusado de participar de uma  explosão de drones enquanto Maduro discursava em parada militar na capital venezuelana, em 4 de agosto. O mandatário venezuelano denunciou o caso como um "magnicídio frustrado" e responsabilizou como autor intelectual o deputado Julio Borges, outro fundador do PJ que está exilado na Colômbia.

Também no microblog, Borges disse que "a crueldade da ditadura terminou com a vida de Fernando Albán", ao recordar que o político viajou a Nova York na semana passada e o acompanhou às Nações Unidas. Maduro acusa Borges de fazer parte de uma trama para derrubá-lo com a ajuda dos Estados Unidos e da Colômbia.

Em setembro de 2017, Carlos García, também vereador pelo PJ morreu em razão de um acidente cardiovascular após permanecer dez meses detido nas celas do Sebin, em Guasdualito, no Estado de Apure. Na ocasião, o partido denunciou que lhe negaram atendimento médico.

Segundo a ONG Foro Penal, há cerca de 236 presos políticos na Venezuela. / EFE e AFP

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