Opositor foragido diz que poderia ser morto na Venezuela

O líder oposicionista venezuelano Manuel Rosales disse que saiu de seu país por estar convencido de que queriam enviá-lo para a prisão para depois matá-lo. Ele concedeu entrevista exclusiva ao jornal peruano ''El Comercio'', publicada hoje. Rosales, prefeito de Maracaibo e opositor do presidente Hugo Chávez, chegou ao Peru em 4 de abril em busca de asilo político. Ele formalizou o pedido na terça-feira. "Me prenderiam, enviariam para uma prisão que se chama La Planta, que tem condições desumanas", afirmou. "Queriam me encarcerar simplesmente para que me matassem...saio da Venezuela para proteger minha integridade física, porque podiam me matar e depois dizer que me enfrentei com eles (presos)", disse.

AE-AP, Agencia Estado

23 de abril de 2009 | 12h58

Na Venezuela, Rosales enfrenta um processo de enriquecimento ilícito, que ele afirma ser baseado em acusações falsas. "Vivi nos últimos dias na Venezuela uma situação perigosa e muito delicada, a propósito de uma caçada que se desatou contra mim, por razões eminentemente políticas", afirmou ele ao jornal. O ex-candidato presidencial assinalou que suportava um cerco policial "muito forte", sem que existisse uma ordem formal de prisão, o que o levou a suspeitar de que "poderia haver algo mal". Rosales relatou que na última segunda-feira estava com uma audiência de seu processo marcado, quando recebeu uma sentença contra ele, já preparada.

O prefeito contou que era permanentemente seguido por grupos de policiais, apoiados "pelos cubanos que sempre andam com essas forças". Em 27 de março, quando concedeu entrevista ao canal Globovisión, a "polícia política e a militar" cercaram o local, relatou. Rosales disse que conseguiu escapar, despistando os agentes, e decidiu se esconder em uma das casas da família. "Então com meus companheiros políticos decidimos que eu saísse do país, porque o cerco era muito forte", afirmou.

Ontem, um tribunal venezuelano pediu à polícia local e à Interpol que prendessem Rosales por "não possuir vontade de se submeter ao processo contra ele". Rosales disse que os aproximadamente US$ 23 mil alvos da investigação são rendimentos obtidos em sua atividade no setor agropecuário. Ele também afirmou que pagou todos os impostos previstos. O oposicionista disse ainda que o fato de ter deixado a Venezuela não o anula politicamente, pois ele possui um grande apoio no país.

Tudo o que sabemos sobre:
PeruVenezuelaRosales

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.