Opositor francês atrai centro e reforça favoritismo

Socialista Hollande recebe apoio de François Bayrou, que teve 9% no 1º turno; para maior parte dos franceses, opositor derrotou Sarkozy em debate

PARIS, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2012 | 03h05

O candidato socialista François Hollande deu dois importantes passos rumo à vitória nas eleições presidenciais francesas, cujo segundo turno ocorre no domingo. Aos olhos da maioria dos franceses, o oposicionista levou a melhor sobre o presidente Nicolas Sarkozy no único debate na TV, na quarta-feira. Ontem, o centrista François Bayrou, que recebeu 9% dos votos no primeiro turno, declarou apoio a Hollande.

Segundo uma pesquisa divulgada ontem, 52,5% dos votos devem ir para o candidato socialista e 47,5% para o presidente.

Por praticamente toda a campanha, Sarkozy ficou atrás de Hollande e, segundo analistas, apenas uma clara vitória no debate poderia reverter o favoritismo do socialista. Cerca de um terço dos franceses - 19,5 milhões de pessoas - assistiu à intensa troca de farpas entre os finalistas, mas pesquisas divulgadas ontem indicam que 42% dos eleitores julgaram que Hollande foi melhor e 34% preferiram a atuação de Sarkozy.

Em mais um revés para a campanha do presidente, Bayrou formalizou ontem seu apoio a Hollande, criticando o que chamou de "direitização" da política francesa. O líder do Movimento Democrático, de centro, afirmou que estava apenas anunciando sua opção de voto e não daria "orientações a ninguém".

Gael Sliman, analista da agência de pesquisa de opinião francesa BVA, chegou a decretar a derrota do presidente. "Agora, a campanha acabou", afirmou. "A não ser que uma catástrofe inimaginável ocorra nas próximas 48 horas, Hollande vai ganhar a eleição presidencial na França."

No último encontro antes do encerramento de sua campanha, o socialista afirmou que sua vitória terá impacto positivo sobre toda Europa. "De todos os cantos chegam mensagens: da Grécia, de Portugal, da Itália e também da Alemanha. Todos nos dizem para não deixar passar a oportunidade da mudança, na França e em toda a Europa", disse Hollande.

O socialista é uma das vozes mais críticas na Europa às políticas de austeridade defendidas por Sarkozy em parceria com a chanceler alemã, Angela Merkel.

Defensiva. Sarkozy rebateu ontem novamente as acusações de que sua campanha de 2007 foi financiada com dinheiro do ex-ditador líbio Muamar Kadafi. A imprensa francesa voltou a noticiar o escândalo, desta vez citando como fonte o ex-premiê líbio Bagdadi Ali al-Mahmudi.

Em entrevista ao Canal+, o presidente afirmou que a acusação é uma "infâmia grotesca". / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.