AFP PHOTO / Vasily MAXIMOV
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Opositor mais duro, Navalni não tem chances de disputar eleição russa

Comissão Eleitoral o declarou inelegível por ter sido condenado em um controvertido caso de desvio de fundos

Andrei Netto, ENVIADO ESPECIAL / MOSCOU, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2017 | 05h00

MOSCOU - A decisão da Comissão Eleitoral Central da Rússia foi conhecida na sexta-feira: Alexei Nalvani, o principal opositor a Vladimir Putin, não será autorizado a concorrer à presidência em março de 2018. Condenado a uma pena em suspenso de 5 anos de prisão em um controvertido caso de desvio de € 400 mil em recursos públicos, que teria acontecido 2009 quando era consultor de um governador russo, o advogado de 41 anos foi declarado inelegível. 

Principal instigador das manifestações de 26 de março e de 12 de junho em Moscou, onde milhares de pessoas protestaram contra a corrupção do governo, Navalni foi preso por ter organizado uma concentração não autorizada. Famoso por sua cruzada anticorrupção, Navalni faz aparições constantes na imprensa independente e nas redes sociais. Mas as agências de notícias públicas e os grandes veículos de mídia nacionais, a maior parte controlados pelo governo e por empresas públicas como Gazprom, não lhe abre espaços. Isso faz com que sua popularidade seja limitada no interior do país.

Uma das formas de se fazer conhecer tem sido organizar protestos não autorizados, que acabam reprimidos pelo governo - o último acabou com 1,2 mil detidos. “À medida que o confronto entre Navalni e as autoridades aumenta, ele cria um núcleo de apoiadores determinados que torna as manifestações mais populares e coerentes”, escreveu Andrei Pertsev, comentarista político do jornal Kommersant, um dos mais importantes de Moscou. “É este núcleo que ajuda as pessoas a responderem a essa questão negligente: senão Putin, quem?”

Ainda que limitado, o crescimento de popularidade de Navalni teria despertado a preocupação do Kremlin. Não que a vitória de Putin estivesse ameaçada, mas a hipótese de que um opositor receba um escore elevado, afirmam analistas russos, reforçaria a oposição nos próximos anos. Por outro lado, a proibição de sua candidatura poderia ser interpretada como um baque na legitimidade da eleição. Por isso, a decisão de inelegibilidade da comissão eleitoral, embora possa ser revertida, era aguardada com expectativa. 

Nikolai Liaskine, um dos assessores de Navalni, afirmou à agência France Presse que o veredicto será contestado. “A Constituição não proíbe Navalni de se candidatar. Com esse anúncio, a Comissão Eleitoral tenta perturbar a campanha.”

 

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