Opositor morre ao tentar volta ilegal para Cuba

Após viver em Miami desde 2005, Leiva partiu da Flórida num barco para juntar-se a dissidentes na ilha; irmã reconheceu corpo

, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2010 | 00h00

Mcclatchy Newspapers - MIAMI

Um dissidente cubano que veio para Miami em 2005 e foi barrado quando tentava retornar legalmente à ilha para retomar seu ativismo, aparentemente se afogou durante tentativa de voltar clandestinamente numa embarcação, disseram amigos dele na terça-feira.

Fazia tempo que Adrian Leiva, de 52 anos, pedia ao governo cubano para permitir que seu povo pudesse sair e voltar quando quisesse, argumentando num recente vídeo que a migração era "uma adaga enterrada no coração da nação cubana".

Ele disse a amigos que voltaria a Cuba por barco em 22 de março, mas na segunda-feira sua irmã Eva foi informada pelas autoridades cubanas de que ele havia se afogado, disse Miguel Saludes, um antigo amigo de Leiva.

Blogs mantidos por dissidentes cubanos puseram em dúvida a versão de morte por afogamento. Outros três cubanos que estavam no barco foram detidos por guardas de fronteira cubanos, mas seus parentes ainda não tiveram acesso a eles.

São raros os casos de cubanos que tentam retornar ilegalmente à ilha, pois as forças de segurança do país são relativamente eficientes em localizar pessoas não autorizadas na ilha.

"Isso é trágico", disse Saludes, que descreveu Leiva como um moderado que pedia a libertação de todos os presos políticos em Cuba, mas se opunha ao embargo americano e acreditava que o presidente Raúl Castro realizaria reformas econômicas. Ele também costumava dizer que o regime cubano se aproveitava dos cidadãos no exílio na Flórida como uma espécie de "companhia de mão de obra", pois se beneficiava das remessas deles para seus parentes.

Leiva vinha atuando no movimento dissidente desde 1996, como jornalista independente e bolsista do Movimento Cristão de Libertação, liderado por Oswaldo Payá.

Ele partiu de Cuba em 2005, mas disse que não estava abandonando o país, apenas acompanhando a mulher enquanto ela estudava nos EUA. Mas eles se divorciaram um ano depois e ele começou a tentar voltar para Cuba.

Ativismo. "Ele disse que sua permanência aqui havia perdido o propósito após o divórcio", disse Saludes, acrescentando que o desejo de voltar de Leiva era movido não pela decepção com a Flórida, mas pelo desejo de retomar o ativismo em Cuba.

Leiva voltou legalmente em 2008 com um visto de visitante por três meses concedido por Cuba, mas foi detido e expulso do país após a permissão expirar, disse Saludes. Ele tentou voltar novamente em abril de 2009, mas foi barrado no Aeroporto Internacional de Miami quando funcionários de Cuba informaram que ele não estava autorizado a entrar na ilha.

Leiva recentemente começou a contar a amigos que havia descoberto um barco que o deixaria em Cuba, entre Havana e Matanzas, pelo custo da gasolina, disse um amigo. "Para surpresa de todos os amigos de Adrian, no dia 23, ficamos sabendo sobre a partida dele, na noite anterior", disse Saludes.

Os parentes de Leiva em Cuba foram notificados de seu planejado retorno, acrescentou, mas não ouviram nada até segunda-feira, quando a irmã dele perguntou a funcionários de segurança do Estado se eles sabiam alguma coisa e estes lhe disseram que um corpo no necrotério se encaixava na descrição que ela dera.

O dissidente foi enterrado na terça-feira, com policiais cubanos fortemente armados guardando a cerimônia. /

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