Opositor obtém garantia de segurança do governo do Zimbábue

Tsvangirai diz que deixará embaixada da Holanda em 48 horas e chama atos do regime de Mugabe de irracionais

Agências internacionais,

24 de junho de 2008 | 07h41

O líder da oposição do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, disse que espera deixar nas próximas 48 horas a embaixada holandesa em Harare, onde está refugiado há dois dias. Porém, o líder da oposição alertou que sua segurança não estará garantida por um regime que está "agindo irracionalmente". O Conselho de Segurança da ONU condenou por unanimidade a violência e a intimidação contra o principal partido de oposição do Zimbábue, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês).   Veja também: Tsvangirai: de líder sindical a inimigo do regime Robert Mugabe, ditador do Zimbábue há quase 30 anos   "O embaixador holandês conversou com o governo, que garantiu que não há mais ameaças. Então, entre esta terça-feira e a quarta, poderei deixar a embaixada" disse Tsvangirai, enquanto afirmou que ainda não estava seguro de sua vida. "Eu espero que eles honrem com o que estão dizendo. Este é um regime que está agindo irracionalmente", afirmou à emissora pública holandesa Radio 1. Mais tarde, durante um comício, o próprio Mugabe afirmou que ninguém quer matar Tsvangirai e que ele não corre nenhum perigo.   Além disso, Tsvangirai reiterou que não participará das eleições da próxima sexta-feira, dia em que será realizado o segundo turno das presidenciais, condenado pela maioria da comunidade internacional pela falta de liberdade e a violência em que se desenvolveu a campanha. O líder da oposição afirmou ainda que "a população também não participará" do pleito, e denunciou que não será uma votação justa, porque se trata da "luta de um só homem", em referência à candidatura única do atual presidente, Robert Mugabe.   De acordo com a BBC, em uma declaração divulgada nesta segunda-feira, o Conselho de Segurança disse que a violência torna "impossível" uma votação livre e justa no segundo turno da eleição presidencial no país africano, marcado para o dia 27. "O Conselho de Segurança da ONU condena a campanha de violência contra a oposição política", diz o documento.   O presidente senegalês, Abdoulaye Wade, que tenta mediar a crise no Zimbábue, disse em comunicado que Tsvangirai estava "fugindo de tropas do governo quando procurou ajuda na embaixada holandesa". "Descobri que soldados foram enviados para a casa de Tsvangirai no domingo, dia 22 de junho, para procurá-lo", disse Abdoulaye para uma agência de notícias senegalesa. Ele afirmou que o líder da oposição deixou a casa minutos antes do local ser invadido por militares   Tsvangirai, que ganhou o primeiro turno das eleições de 29 de março, decidiu se refugiar na Embaixada holandesa após anunciar que não participará do segundo turno como conseqüência da onda da repressão contra seus seguidores. Durante as eleições no Zimbábue, mais de 90 oposicionistas foram mortos e centenas detidos. Além disso, foram proibidos comícios e o regime de Mugabe se nega a aceitar a presença de observadores internacionais.   Eleição continua   O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, afirmou nesta terça que o segundo turno das eleições presidenciais do país, marcado para esta sexta-feira, seguirão conforme o previsto, apesar de a oposição ter se retirado formalmente da disputa eleitoral. "Os países ocidentais podem gritar o quanto quiserem, as eleições seguirão em frente. Aqueles que quiserem reconhecer nossa legitimidade podem fazê-lo, os que não quiserem, que não o façam", disse Mugabe durante uma manifestação do partido governista União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF).   O principal partido opositor, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês), confirmou por escrito à Comissão Eleitoral do Zimbábue que o líder da legenda, Morgan Tsvangirai, não participará do segundo turno, porque "eleições livres e justas são impossíveis de ser realizadas nas atuais circunstâncias".   Matéria atualizada às 14 horas.

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