Opositor paquistanês ganha apoio popular

Sharif sai fortalecido ao obter retorno do juiz do Supremo

Jane Perlez, THE NEW YORK TIMES, ISLAMABAD, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2009 | 00h00

Foi um momento extraordinário no desenvolvimento político do Paquistão: uma enorme manifestação forçou a recondução ao cargo do presidente exonerado da Suprema Corte, Iftikhar Chaudhry, um símbolo da democracia. O Exército não deu um golpe e insistiu para o governo aceitar um acordo.O acordo entre o presidente Asif Ali Zardari e Nawaz Sharif, líder do principal partido de oposição, não representa uma solução para a instabilidade do país, que possui armas nucleares. Tampouco garantiu o objetivo principal do governo Barack Obama de enfrentar a poderosa insurgência islâmica que ameaça tanto o Paquistão quanto o Afeganistão. O modo como os dois políticos paquistaneses resolverão sua rivalidade é apenas uma das incertezas. Outra é se a luta política doméstica permitirá a eles - ou aos militares - concentrar-se na deterioração da situação de segurança do Paquistão. Zardari saiu gravemente enfraquecido de seus esforços para reprimir um protesto nacional e enfrenta deserções no Partido do Povo do Paquistão (PPP). Seu adversário, Sharif, emergiu como um líder de prontidão, mas sem nenhum caminho claro para o poder. O que vem pela frente provavelmente será confuso para todos, incluindo os EUA, e poderá se verificar uma grande distração dos esforços para enfrentar a insurgência, que já se está aproximando das principais regiões populosas do Paquistão. Mas ainda há esperanças, segundo autoridades americanas e paquistanesas. Para um país que tem mais experiência em regimes militares que em governos democráticos em seus 61 anos de existência, havia a possibilidade de que a tomada das ruas de Lahore pela sociedade civil no fim de semana pressagiasse um sistema democrático bipartidário fortalecido, e o surgimento de um Judiciário independente.Sharif, visto frequentemente com suspeita em Washington, foi mais cooperativo do que se pensava. Em Washington, havia uma percepção de que a reputação de excessiva proximidade de Sharif com os islâmicos poderia ser corrigida, e suas relações com alguns partidos islâmicos e com a Arábia Saudita poderiam ser úteis, disse um especialista em política externa familiarizado com o pensamento do governo Obama. Analistas paquistaneses também disseram que Sharif pode ser um parceiro útil na tentativa de Washington de conversar com elementos considerados moderados do Taleban. Mas Sharif terá de jogar um jogo delicado porque se for visto cumprindo orientações de Washington ficará desacreditado entre boa parte de seu eleitorado. E Sharif também poderia não se mostrar disposto a apoiar algumas medidas duras que Washington deseja.Um sinal encorajador para Washington foi o papel desempenhado na crise pelo comandante do Exército, general Ashfaq Parvez Kayani, que fez Zardari saber que ele não poderia depender de soldados para enfrentar os manifestantes que ameaçavam convergir para Islamabad para pedir a volta ao cargo do presidente da Suprema Corte. Outro sinal positivo foi a natureza do apoio que Sharif angariou após deixar sua casa num subúrbio de Lahore, no domingo, cruzando barreiras de arame farpado, em desafio a uma ordem de detenção. "Sharif compreendeu o pulso do país", disse Farruck Saleem, um colunista do jornal The News.

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