Opositor pede intervenção de tropas da ONU no Zimbábue

Tsvangirai diz em artigo no 'Guardian' que somente com missão internacional eleições serão justas e livres

Agências internacionais,

25 de junho de 2008 | 07h48

O líder opositor do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, pediu nesta quarta-feira, 25, para que tropas das forças de paz internacionais assegurem a realização de uma nova eleição presidencial segura no país. Enquanto isso, o presidente e rival de Tsvangirai no último pleito, Robert Mugabe, afirmou que o mundo pode "gritar o mais alto que puder", mas não conseguirá impedir a realização do segundo turno eleitoral, marcado para esta sexta-feira.   Veja também: Tsvangirai: de líder sindical a inimigo do regime Robert Mugabe, ditador do Zimbábue há quase 30 anos Artigo: O flagelo do Zimbábue   Tsvangirai, que anunciou a desistência da candidatura no domingo por conta da repressão aos simpatizantes da oposição, formalizou a retirada na terça-feira. "Nós precisamos de uma força para proteger o povo. Nós não queremos um conflito armado, mas as pessoas do Zimbábue precisam que as palavras de indignação dos principais líderes mundiais sejam respaldadas pela integridade de uma força militar", disse Morgan Tsvangirai, que deixou a embaixada da Holanda nesta quarta, onde estava refugiado desde domingo.   O pedido do opositor por tropas da ONU no país coincidiu com o apelo diplomático regional e internacional, argumentando que o pleito previsto para sexta-feira não será livre nem justo. Para Tsvangirai, "a realidade é que uma nova eleição, desprovida de violência e intimidação, é o único meio de colocar o país no caminho certo."   "Tal força ficaria o cargo de tropas de paz e não de instigadores da violência. Eles protegeriam as pessoas de seus opressores e lançariam um escudo para proteger o processo democrático do qual o Zimbábue tanto precisa".   Apesar dos apelos da comunidade internacional e das Nações Unidas para suspender o segundo turno, Robert Mugabe disse que as eleições serão realizadas na sexta-feira como planejado. "Eles podem gritar tão alto quanto quiserem de Washington ou de Londres. Somente o nosso povo poderá decidir e mais ninguém", disse Mugabe durante um comício na terça-feira. O presidente ainda afirmou que Tsvangirai abandonou a disputa pela presidência porque ficou com medo da derrota ao ver o "furacão político" vindo em sua direção.   Os Estados Unidos não vão reconhecer o resultado do segundo turno das eleições do Zimbábue, marcadas para esta sexta-feira dia 27, afirmou à BBC uma autoridade do Departamento de Estado americano. Jendayi Frazer, do Departamento de Assuntos Africanos do Departamento de Estado, disse que o presidente Robert Mugabe não poderá reivindicar uma vitória legítima diante da campanha de violência que vem promovendo contra a oposição.   "As pessoas estão apanhando e perdendo suas vidas apenas por exercer seus direitos de votar em suas lideranças", disse Frazer. "Então não podemos, sob nenhuma condição, reconhecer o resultado (do segundo turno) caso ele ocorra."   Outros países ocidentais, incluindo o Reino Unido, pediram que a comunidade internacional isole Mugabe e declare sua presidência ilegítima se as eleições não forem justas e livres. Monitores eleitorais do Zimbábue disseram que não poderão atuar no segundo turno das eleições porque não receberam a permissão oficial do governo.

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