Opositor pede perdão em julgamento pós-protestos no Irã

Saeed Hajjarian, um dos mais importantes ativistas pró-reforma do Irã, admitiu hoje ter fomentado distúrbios e pediu desculpas ao país. A declaração foi feita durante um julgamento em massa, em que mais de 100 réus são acusados de incentivar grandes protestos populares após as eleições presidenciais. O pleito ocorreu em 12 de junho e foi vencido pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad, mas, segundo a oposição, houve fraudes no processo. O partido político de Hajjarian, o Fronte Islâmica de Participação no Irã, afirmou que sua confissão foi forçada e prometeu apoio a ele. O grupo chamou o julgamento de "outra página de uma demonstração de desgraça que falsifica a realidade da eleição".

AE-AP, Agencia Estado

25 de agosto de 2009 | 15h12

O depoimento de Hajjarian foi o última das confissões do julgamento de um mês que a oposição comparou aos "tribunais de exibição" de Josef Stalin, impostos aos oponentes na União Soviética. Hajjarian era o principal réu da sessão de hoje no Irã. Considerado o engenheiro do programa de reformas pró-democracia do ex-presidente Mohammad Khatami, ele foi um dos estudantes que participou da invasão à embaixada dos Estados Unidos durante a Revolução Islâmica de 1979. Nas décadas seguintes, ele serviu ao governo como importante oficial de inteligência, mas nos anos 1990 tornou-se um crítico da liderança dos clérigos. Em 2000, foi baleado na cabeça por homens ligados aos linha-dura. Hajjarian sobreviveu, mas ficou parcialmente paralisado, continua a usar um andador e tem dificuldade para falar.

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