Evgeny Feldman/Navalny Campaign via AP
Evgeny Feldman/Navalny Campaign via AP

Opositor russo é impedido de disputar a presidência e anuncia boicote às eleições

Alexei Navalny já estava praticamente inabilitado devido a um processo penal em um caso de fraude que foi visto como retribuição política

O Estado de S.Paulo

26 Dezembro 2017 | 02h00

MOSCOU - A Comissão Central Eleitoral russa proibiu nesta segunda-feira, 25, a candidatura do líder opositor Alexei Navalny para as eleições presidenciais do próximo ano, que serão realizadas no dia 18 de março. A decisão unânime foi tomada em uma audiência pública um dia depois de Navalny apresentar formalmente seu pedido de candidatura.

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O líder opositor estava praticamente inabilitado para se candidatar devido a um processo penal em um caso de fraude que foi visto como retribuição política. Ele poderia concorrer ao cargo se tivesse uma licença especial ou se sua condenação fosse anulada.

Antes da votação, Navalny disse que a decisão de barrá-lo seria uma votação "não contra mim, mas contra 16 mil pessoas que me nomearam, contra 200 mil voluntários que estão me apoiando". Ele é opositor mais sério que o atual presidente Vladimir Putin enfrentou em todos esse anos no poder, e os processos judiciais contra ele foram vistos como uma ferramenta para mantê-lo longe da corrida eleitoral.

Vladimir Putin vai tentar se reeleger pela quarta vez e, se eleito, poderá completar 25 anos no governo da Rússia. Pelos índices de aprovação, em que está com 80%, acredita-se que ele pode ganhar a eleição folgadamente.

Navalny acusa Putin de ordenar à Comissão que proibisse sua candidatura. "Não haverá eleições, Putin está muito assustado, teme enfrentar-me" disse em uma mensagem de vídeo gravada e publicada pouco depois da decisão da Comissão Eleitoral.

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O opositor convocou seus partidários para boicotar as eleições de 2018. "O processo para o qual estamos convidados a participar não é uma eleição", disse. "Somente Putin e os candidatos que ele escolhei estão participando disso. Ir às urnas agora é votar em mentiras e corrupção", completou. /AFP e AP

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