REUTERS/Agustin Marcarian
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Scioli copiará estratégia de rival no segundo turno

No primeiro turno, Mauricio Macri visitou regiões pobres de Buenos Aires para afastar imagem da história milionária de sua família

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

03 de novembro de 2015 | 04h00

BUENOS AIRES - Durante o primeiro turno, o conservador Mauricio Macri visitou bairros pobres da Região Metropolitana de Buenos Aires, cidade que governa há oito anos, para afastar sua imagem da história milionária de sua família, ligada ao empresariado. A campanha do governista Daniel Scioli, no segundo turno, copiará o modelo que parece ter aproximado em parte um introspectivo Macri da população. 

No fim de semana, Scioli fez uma caminhada por Escobar, cidade de 203 mil habitantes no entorno da capital. “Será menos estúdio e mais contato direto com o povo. Acreditamos que Scioli tem mais facilidade nessa conexão direta. Todos achavam Macri antipático, até que ele começou a dançar nos comícios”, avalia um de seus assessores. Até agora, o kirchnerista tinha apostado em comícios e se afastado do corpo a corpo.

Seu alvo principal são os 5,2 milhões de votos do ex-kirchnerista e também peronista Sergio Massa, que obteve 21,3% no primeiro turno. “Scioli tem de tentar caminhos para reverter o clima ganhador ao redor de Macri”, disse ao Estado o sociólogo Ricardo Rouvier.

Na semana passada, Scioli adotou uma das propostas que Massa colocou em uma lista para dar seu apoio. A medida garante a um aposentado com pensão mínima receber 82% do salário de um empregado na ativa. Massa disse que não quer que Scioli vença, mas elogiou a adesão.

A ideia mais controvertida de Massa, pôr o Exército para combater o narcotráfico, não deve ter o mesmo respaldo. O grupo de Scioli, porém, estuda um modo de contemplá-la, já que a criminalidade está à frente da economia entre as preocupações dos argentinos. Uma hipótese seria substituir a Gendarmeria, força de segurança com características militares que se concentra nas fronteiras, pelo Exército.

A tática de Macri será visitar o interior e consolidar seus votos na Província de Buenos Aires, governada há oito anos por Scioli. “Macri não precisa de mais nada, caso se confirme a migração da maior parte dos votos de Massa”, diz o analista político Carlos de Angelis, da Universidade de Buenos Aires.

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