AFP PHOTO / Thomas URBAIN
AFP PHOTO / Thomas URBAIN

Opositor turco pede que EUA rejeitem solicitação de extradição feita pelo governo de Erdogan

Fethullah Gülen é acusado de liderar a tentativa de golpe de Estado realizada na sexta-feira; premiê turco acusa americanos de proteger um ‘líder terrorista’

O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2016 | 09h29

WASHINGTON - O pregador islamista Fethullah Gülen, acusado de orquestrar o golpe de Estado fracassado na semana passada na Turquia, pediu na terça-feira aos Estados Unidos, país onde vive, que rejeitem a solicitação de extradição feita pelo governo otomano.

"É ridículo, irresponsável e falso sugerir que tive algo a ver com o golpe fracassado. Peço ao governo dos Estados Unidos que rejeite qualquer tentativa de extradição", declarou o clérigo turco em comunicado, no qual qualificou de "vingança política" o pedido de seu país.

Leia Também

O perigo turco

O perigo turco

A Turquia enviou duas cartas às autoridades americanas, uma ao Departamento de Justiça, solicitando a detenção de Gülen, e outra ao Departamento de Estado, pedindo sua extradição.

Além disso, o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, prometeu apresentar toda a informação necessária para provar o envolvimento de Gülen no levante, ao mesmo tempo em que acusou os Estados Unidos de proteger um "líder terrorista".

A Casa Branca, por sua vez, indicou que as autoridades americanas analisarão se os documentos apresentados pelo governo turco cumprem os requisitos estabelecidos pelos tratados entre ambos os países para esse fim.

O presidente americano, Barack Obama, falou por telefone com o líder turco, Recep Tayyip Erdogan, a quem pediu que investigue o golpe de Estado "pelas mãos dos valores democráticos".

Erdogan tomou duras medidas após o levante, detendo quase 7 mil militares acusados de terem algum vinculo com a tentativa golpista, e insinuou que poderia aplicar-lhes pena de morte para que o Estado não tivesse que se responsabilizar por sua manutenção dentro das prisões.

Nesta linha, o Ministério da Educação turco retirou a licença de 21 mil professores de instituições de ensino privadas como parte da investigação para localizar supostos colaboradores do fracassado golpe de Estado.

Gülen afirmou que Erdogan já demonstrou que fará uso de "qualquer meio" para "garantir seu poder e perseguir seus críticos".

O opositor é lider espiritual do movimento Hizmet, que promove o Islã moderado em dezenas de países e é qualificado de grupo terrorista pelo governo turco. / EFE e AFP

Veja abaixo: Turco refugiado nos EUA denuncia farsa

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.