Opositor vê plano do chavismo para inviabilizar eleição

Segundo governador de Carabobo, Chávez busca agravar a situação social e econômica para evitar vitória da oposição na votação de setembro

Gabriela Moreira, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2010 | 00h00

RIO

Um dos principais opositores ao governo de Hugo Chávez, o governador do Estado venezuelano de Carabobo, Henrique Fernando Salas Feo alerta para a possibilidade de as eleições legislativas de setembro não ocorrerem.

Salas, presidente do Projeto Venezuela, partido de centro-direita, diz que medidas como a intervenção no Banco Federal fazem parte de uma estratégia de agravamento da situação econômica e social do país, para a formação de um cenário que inviabilize a realização das eleições.

"O governo nacional está tomando decisões que agravam a recessão e aumentam o caos social, como intervenções bancárias, a desvalorização cambial, perseguições políticas e expropriações de empresas privadas ", disse Salas Feo, ontem, em entrevista ao Estado, no Rio.

O adiamento das eleições, afirma, seria uma estratégia para esvaziar a oposição, que, desde a votação de 2008, vem ganhando espaço no país. "Nós ganhamos em seis Estados (Carabobo, Zulia, Táchira, Miranda, Caracas e Nueva Esparta). Juntos, representamos 60% da população.

Com uma expectativa de inflação anual, segundo o governador, que deve ficar entre 35% e 40%, Salas afirma que o país enfrenta o "pior momento econômico e social". "Este é o pior momento dos 12 anos de Chávez. Agora, a população vê que, por trás dos ideais, escondem-se interesses de enriquecimento pessoal."

O governo está tomado pelas máfias e pela corrupção", afirma o governador, que é filho de Henrique Salas Romer derrotado por Chávez na eleição de 1998. "A Venezuela é um dos países com o mais alto índice de violência, 18 mil assassinatos ao ano. A inflação para os alimentos chegará a 100%, atingindo diretamente os mais pobres. No setor elétrico, sofremos apagões diários. Como explicar isso num país que tanto arrecada com o petróleo?", questionou.

No Rio para um evento da União Democrata Internacional (UDI), que reuniu políticos da América Latina, EUA e Austrália, Salas posicionou-se contrário à política de Brasília. "Temos um governo que está restringindo liberdades individuais. E o mundo perceberá que o Brasil foi permissivo ao não ser firme na defesa dos direitos humanos e democráticos do povo", disse.

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