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Opositor venezuelano Daniel Ceballos passa a cumprir pena em casa

Tribunal determinou na terça-feira que ex-prefeito de San Cristóbal fosse transferido para prisão domiciliar; dos principais opositores presos por Maduro, apenas Leopoldo López segue na cadeia

O Estado de S. Paulo

12 de agosto de 2015 | 09h14

CARACAS - O opositor venezuelano Daniel Ceballos, preso há mais de um ano por rebelião e formação de quadrilha, recebeu na noite de terça-feira uma medida de prisão domiciliar por motivos de saúde, informou sua mulher, Patricia Gutiérrez Ceballos. Ceballos foi transferido para um apartamento em Caracas na madrugada desta quarta-feira, 12.

"Fomos convocados hoje (terça-feira) para uma audiência em que o Ministério Público solicitou à juíza do Tribunal 15º de Justiça a medida cautelar de prisão domiciliar para o meu marido por razões de saúde", disse Patricia à Efe.

Pelo Twitter, líderes opositores venezuelanos comemoraram a mudança do regime de prisão de Ceballos. "Um Grande abraço @PatrideCeballos para Daniel e toda a família. Espero vê-lo em breve em liberdade plena", escreveu o governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles.

A ex-deputada María Corina Machado, também se manifestou no microblog: "Por fim dormirás com tua família. Continuaremos lutando por sua liberdade plena", disse María Corina. 

Mitzy Capriles, mulher do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma - que foi detido no começo deste ano, mas cumpre prisão domiciliar desde 1º de maio por motivos de saúde -, também enviou um abraço para Ceballos. "Sabermos que somos inocentes nos torna livres."

Patricia, atual prefeita de San Cristóbal, em Táchira, afirmou que Ceballos "está bem" e que o tribunal decidiu que ele deve cumprir a medida no apartamento onde ela e os filhos se hospedavam em Caracas quando iam visitá-lo.

O ex-prefeito foi levado por volta de 1h desta quarta-feira (horário local, 2h30 de Brasília) até sua residência, localizada no leste de Caracas, acompanhado por um grupo de funcionários dos Serviços Bolivarianos de Inteligência (Sebin).

"Com emoções confusas, mas feliz por estar com minha família", disse Ceballos da janela do apartamento onde permanece detido ao ser perguntado pelos jornalistas do lado de fora da residência sobre como se sentia.

Entre maio e junho, Ceballos fez uma greve de fome de 20 dias para reivindicar, entre outros aspectos, a libertação daqueles que ele considera serem "presos políticos" e a fixação de uma data para as eleições parlamentares. A manifestação, interrompida após conseguir resultados parciais a seus pedidos, o fez perder mais de dez quilos e a ter problemas renais.

Ceballos foi detido em março de 2014 quando era prefeito de San Cristóbal e condenado a 12 meses de prisão por desacato a uma liminar do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) por não cumprimento de uma sentença que lhe obrigava a impedir a colocação das barricadas que grupos que protestam contra as políticas governamentais instalaram no município.

Após cumprir essa pena, o TSJ informou que ele continuaria preso por formação de quadrilha, acusação relacionada também aos protestos antigovernamentais que o país viveu no primeiro semestre daquele ano e que deixaram, segundo números oficiais, 43 mortos.

Opositores. Dos principais líderes opositores presos na Venezuela entre 2014 e 2015 pelo governo do presidente Nicolás Maduro, apenas Leopoldo López - líder do partido Voluntad Popular - continua detido em um complexo prisional.

Acusado pelo governo, entre outras coisas, de incitação à violência durante os protestos de 2014, López continua na prisão militar de Ramo Verde, nos arredores de Caracas, para onde foi levado quando se entregou para a polícia, em 18 de fevereiro daquele ano.

No fim de junho, López encerrou a greve de fome, iniciada no mesmo fim de semana que Ceballos, após ficar 30 dias sem comer.  A decisão foi tomada depois que uma de suas exigências foi cumprida: a marcação de uma data para as eleições parlamentares deste ano

"Começamos este protesto não para morrer, mas para que todos os venezuelanos possam viver com dignidade", escreveu López em uma carta lida na ocasião por sua esposa, Lilian Tintori, durante uma entrevista coletiva. "Estamos suspendendo a greve (de fome), mas a luta continua." 

Em fevereiro, Enzo Scarano o ex-prefeito de San Diego, no Estado de Carabobo, que foi preso no mesmo dia que Ceballos sob as mesma acusações, teve a liberdade plena confirmada pela Justiça da Venezuela após cumprir sua pena. / EFE e REUTERS

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