REUTERS/Manaure Quintero
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Leopoldo López, líder opositor, deixa a Venezuela

Líder opositor, de ascendência espanhola, se refugiou na Embaixada da Espanha em 30 abril de 2019 após uma rebelião frustrada contra Maduro; segundo sua família, ele fugiu do país e segue para a Espanha

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2020 | 14h41
Atualizado 24 de outubro de 2020 | 16h19

CARACAS - Leopoldo López, um dos mais importantes líderes da oposição na Venezuela, deixou a embaixada espanhola em Caracas. Segundo sua família, ele fugiu para a Espanha neste sábado, 24. Economista de 49 anos, um dos fundadores do partido Vontade Popular, López sempre foi um dos críticos mais duros do regime chavista.

Tanto que, em agosto, quando o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, deu indulto a 110 opositores, entre políticos, jornalistas e ativistas, López não estava entre eles. Ele permaneceu enclausurado na Embaixada da Espanha em Caracas. 

De acordo com o jornal espanhol El País e a agência de notícias France Presse, López já havia cruzado a fronteira com a Colômbia com o objetivo de viajar para a Espanha onde vive seu pai, Leopoldo López Gil, deputado do Parlamento Europeu pelo Partido Popular (PP) espanhol. 

"Ele deixou a embaixada por vontade própria e saiu da Venezuela de forma obviamente secreta, clandestina, pela fronteira com a Colômbia rumo à Espanha”, afirmou o pai de López.Lilian Tintori, mulher de López, já havia deixado a Venezuela, em junho de 2019, e se estabelecido em Madri. 

Perseguição

O ativismo político de López vem sendo uma dor de cabeça para o chavismo desde 2014, quando ele apoiou manifestações de rua contra o regime. Diferentemente de outros líderes moderados da oposição, como Henrique Capriles, que aceitam buscar o poder por meio de eleições, López é considerado mais radical e sempre defendeu os protestos populares para redemocratizar a Venezuela. 

Entre fevereiro e maio de 2014, os protestos incentivados por ele foram reprimidos com violência pelo regime. As manifestações deixaram 43 mortos, mais de 5 mil feridos e 3,6 mil presos. López foi para a cadeia, condenado a quase 14 anos por conspiração e incentivo à violência. Ele passaria a maior parte do tempo em Ramo Verde, uma prisão militar nos arredores de Caracas.

Em 2017 chegou a ter prisão domiciliar concedida, mas logo voltaria a ser perseguido de novo. Em abril de 2019, após participar de uma quartelada fracassada contra Maduro, ele se refugiou na embaixada do Chile, depois na espanhola – onde estava desde então.

Nos últimos anos, organizações de defesa dos direitos humanos descreviam o opositor como “preso político". Tanto Barack Obama quanto Donald Trump, os dois últimos presidentes americanos, pediam a sua libertação. / AFP e REUTERS

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