AFP PHOTO / ANDRESSA ANHOLETE
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Opositor venezuelano pede ajuda ao governo brasileiro

Presidente do Legislativo da Venezuela é recebido por José Serra na capital e acusa o chavismo de postergar eleições

Lu Aiko Ota / Brasília, O Estado de S. Paulo

08 Fevereiro 2017 | 19h59

Em visita ao ministro das Relações Exteriores, José Serra, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, deputado Julio Borges, pediu nesta quarta-feira, 8, apoio ao Brasil para garantir a realização das eleições no país vizinho. 

“O Brasil pode fazer muito”, disse Borges após o encontro com Serra. A ideia é pressionar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por meio da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), que tem atuado como mediadora do diálogo entre o governo e a oposição na Venezuela.

Borges falou com Serra sobre a prisão de parlamentares da Venezuela e a retenção, pelo governo, dos passaportes de vários deles – até mesmo de integrantes da Comissão de Relações Exteriores. Ele articula a realização de um encontro dos presidentes dos legislativos dos países da América Latina, em apoio ao Parlamento venezuelano. No entanto, ainda não há data marcada.

O parlamentar também manifestou preocupação com o fato de, apesar de haver prometido a realização de eleições estaduais e municipais, o governo ainda não as ter convocado. “Eleições não são um presente do governo, elas estão na Constituição Federal”, afirmou. “Maduro atua como se fosse um presidente forte, mas ele é fraco, pois o que lhe resta é suspender as eleições.”

Na conversa, eles falaram também sobre a situação dos mais de 160 presos políticos e sobre ajuda humanitária. O deputado disse que o Brasil ofereceu alimentos e remédios, mas o governo venezuelano recusou. “Enquanto isso, a população está morrendo de fome, comendo lixo nas ruas e morrendo por falta de medicamentos”, lamentou. 

A Unasul, foro que ainda consegue servir de interlocutor no país, está em processo de transição. Com o fim do mandato do ex-presidente da Colômbia Ernesto Samper como secretário-geral, há indefinição sobre a linha política que o organismo adotará. Borges avaliou ser possível que ela mude. A Argentina tem um candidato à vaga, José Octavio Bordon, que é apoiado pelo Brasil. A escolha se dá por aclamação.

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