Opositor votou, deu doces e foi jogar futebol

Cercado por sua militância, Macri demorou para conseguir sair do carro que o levou até colégio

Rodrigo Cavalheiro, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2015 | 23h19

O candidato conservador à presidência da Argentina, Mauricio Macri, não conseguia sair do carro que o levou para votar ontem em uma escola do bairro de Palermo. Ao chegar às 11h10 (12h10 em Brasília), foi cercado por uma multidão que gritava "sí, se puede" e "Mauricio presidente". Um eleitor relatava o que via a amigos e família pelo Facebook no celular: "Futuro presidente chega para votar. Caos no trânsito e eleitores que o ovacionam", escreveu Juan Pérez.

Sorridente, Macri deixou o veículo ao lado da mulher, Juliana Awada, com um cordão de isolamento que arrastava cinegrafistas e eleitores que tentavam tocá-lo. Depois de entrar na Escola Wenceslao Posse, o candidato caminhou com tranquilidade graças a corredores formados por cercas de metal.

Ficou por volta de um minuto na sala em que os eleitores escolhiam entre as duas cédulas (espécies de santinhos com o rosto de cada um) e depositou o envelope na urna. Ao saudar todos os fiscais, passou a mão na cabeça de um deles, de 16 anos, que trabalhava para a Frente pela Vitória (FPV), do rival Daniel Scioli. Macri subiu, então, em um púlpito e, cercado por microfones, fez declarações genéricas: "Este é um dia histórico que vai mudar nossas vidas. Espero que comece uma nova etapa na Argentina. Amanhã, aconteça o que acontecer, vamos estar todos juntos." Ele afirmou que passaria a tarde jogando futebol – foi presidente do Boca Juniors de 1995 a 2007 – e almoçaria com a família.

Antes de sair, distribuiu uma caixa de pães doces a jornalistas, um costume a cada vez que vota. O repórter peruano Fernando Espinoza, do canal América Noticias, pegou as guloseimas da mão de Macri e deixou no chão para os colegas. "Ele disse que estava tranquilo, olhou para mim e entregou os doces", comentou Espinoza, que preferiu não comer os pães.

O casal Claudia Fiumari e Federico Hernández, ambos eleitores do conservador, chegaram à escola para votar no mesmo momento e se surpreenderam com a reação popular. Hernández é dono de uma multinacional de softwares com negócios no Brasil. Como o governo controla o câmbio desde 2001, importadores como ele quase não têm acesso a dólares, o que trava o comércio. Essa era uma razão para pedir mudança, mas não a principal. "É uma questão de valores. Esse governo chegou a níveis de corrupção incríveis."

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