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Opositora argentina pede que não votem nela

Mónica López aderiu à campanha de Daniel Scioli, antes chamado por ela de 'mentiroso de estilo patético' e 'cachorrinho com fraldas'

Rodrigo Cavalheiro - Correspondente em Buenos Aires, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2015 | 02h01

A 25 dias da eleição presidencial argentina, a opositora Mónica López aderiu à campanha kirchnerista encabeçada por um frouxo sem chance de ganhar, um mentiroso dono de um estilo patético, um cachorrinho com fraldas que dormiu a sesta durante seu desastroso governo na Província de Buenos Aires.

Os adjetivos, substantivos e verbos usados para definir Daniel Scioli, o favorito para presidir a Argentina e seu novo aliado, são da própria desertora. Foram usados em tuítes nos últimos quatro anos. Na quinta-feira, Mónica pediu desculpas ao lado do candidato de Cristina Kirchner. Foi perdoada e acolhida. "Todos temos que prestar contas (do que dizemos), ninguém escapa do que está em arquivo", admitiu Mónica.

Os arquivos mostram que ela denunciou penalmente Scioli por mortes ligadas a inundações na província que ele governa, onde estão 37% dos eleitores do país. Em alagamentos deste ano, quando ex-piloto de lancha viajou à Itália e voltou tão logo pisou na Europa e soube que havia 10 mil desalojados, Mónica tuitou: "o governador que afundou a província". Questionado se na política "tudo valia", pela adesão tardia da ex-inimiga, Scioli argumentou que ela era apenas uma das integrantes da oposição a unir-se a ele.

Fenômeno

Mónica é a 13ª a abandonar o grupo do ex-kirchnerista Sergio Massa e aliar-se ao governo. Em vários tuítes, a candidata criticou os desertores que a antecederam. O momento de sua traição, entretanto, a tornou o grande personagem do noticiário. Mónica fazia parte da lista de candidatos da Frente Renovadora, grupo político fundado por Massa em 2013, ala peronista dissidente que deixou o kirchnerismo.

Questionada se recomendar o voto em Scioli era aconselhar que votassem contra ela, disse que não votaria em si mesma e pediu que ninguém o fizesse. No fim da noite de sexta-feira, a pressão a levou a divulgar uma carta de renúncia formal à candidatura. Ela tem ainda dois anos como deputada provincial.

Na edição de abril da revista Caras argentina, a peronista, que justificou sua decisão "para que o povo ganhe em primeiro turno", abriu sua mansão na zona sul de Buenos Aires para exibir seu 240 pares de sapato e um closet com três corredores que definiu como "ruas" de grife, batizadas com os nomes Perón, Evita, e o de seu marido, arrastado para a controvérsia.

Roberto Roberti, o marido, lidera o grupo de deputados da Frente Renovadora. Questionado se aprovava a traição política da mulher, disse que a decisão dela devia ser respeitada. Mónica não se conformava com uma vaga no Parlasul, o Congresso do Mercosul que passará a operar integralmente em 2020. Roberti afirmou que se manteria fiel a Massa, mas não contribuiu para apaziguar ao completar que, em um segundo turno sem o candidato da Frente Renovadora, 90% do grupo votaria em Scioli. "(Mauricio) Macri é nosso limite", disse, afastando a hipótese de uma união da oposição em torno do conservador prefeito de Buenos Aires. Ontem de manhã em Lanús, na Grande Buenos Aires, Massa insinuou que Mónica trocou de lado por razões financeiras. "Vou vencer o chicote e o talão de cheques que usa o kirchnerismo", disse antes de um ato num centro de aposentados.

O grupo de Massa obteve 20,5% dos votos na primária obrigatória de agosto e manteve esse número, segundo as últimas pesquisas, contrariando a previsão de polarização. Algumas mostram que ele está roubando votos de Macri, cuja coalizão teve 30% na primária. Questionado pelo Estado sobre quem seria seu alvo preferido no debate de amanhã, no qual Scioli será o único ausente, ele riu e disse que se preocupará em expor suas propostas.

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