Opositores acusam Chávez de controlar líder boliviano

Eles dizem que o presidente venezuelano usa suas doações como desculpa para intrometer-se nos assuntos do país

Renata Miranda, O Estadao de S.Paulo

16 de setembro de 2008 | 00h00

A crise boliviana voltou a lançar polêmica sobre os estreitos laços de amizade que unem os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia. A "irmandade revolucionária" compartilhada pelos dois, além dos milhões de dólares enviados por Chávez para Evo desde a posse do líder boliviano, em 2006, dá neste momento à oposição autonomista munição para acusar a Venezuela de intrometer-se nos assuntos da Bolívia."O auxílio que Evo recebe dos venezuelanos pode ajudar na desestabilização de seu governo", afirmou ao Estado o analista político José Blanes, diretor do Centro Boliviano de Estudos Multidisciplinares, em La Paz. "Todo esse dinheiro condiciona o presidente aos caprichos de Chávez, causando uma falta de soberania na Bolívia."As acusações de ingerência ganharam força após o presidente venezuelano afirmar que, caso Evo fosse assassinado ou deposto, ele enviaria ajuda armada aos grupos aliados do líder boliviano. Após as declarações de Chávez, o Exército boliviano disse que recusava intromissões externas. Muitos dos opositores reagiram também à expulsão do embaixador americano na Bolívia, Philip Goldberg, na semana passada, e pediram o afastamento do diplomata venezuelano na Bolívia. "A intromissão venezuelana em nosso país é uma vergonha que estamos denunciando há muito tempo", afirmou o presidente do Parlamento Crucenho, Carlos Pablo Klinsky, em Santa Cruz. "Chávez é o chefe de Evo porque é ele quem dá ao nosso presidente montanhas de dinheiro de Caracas."Em novembro, o ministro da Fazenda, Luis Arce, disse que os valores dos cheques venezuelanos recebidos pelo governo boliviano passavam de US$ 80 milhões e não estavam sujeitos a controle fiscal. Os cheques foram repassados a Evo que os distribuiu - em valores que variavam entre US$ 100 mil e US$ 150 mil - aos municípios mais pobres.Ontem, o jornal La Razón - um dos principais do país - lamentou em editorial que Evo não se distancie de Chávez, afirmando que "o presidente boliviano tem uma imagem internacional melhor de que seu colega venezuelano". "Evo tem de se dar conta de que as declarações de seu amigo Chávez não trazem benefícios, apenas prejudicam seriamente o clima de paz que faz tanta falta nesses dias de fúria", afirmou o jornal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.