Opositores celebram redução de diferença

Antichavistas diminuíram a vantagem que Chávez obteve na eleição de 2006

Lourival Sant?Anna, O Estadao de S.Paulo

17 de fevereiro de 2009 | 00h00

Logo depois do discurso de Hugo Chávez, na noite de domingo, os líderes da frente oposicionista reconheceram a vitória do presidente, mas sem se declarar derrotados. Os oposicionistas preferiram ressaltar o fato de que pela primeira vez obtiveram 5 milhões de votos. Eles celebraram a diminuição da diferença de votos entre o governo e a oposição de 3 milhões para 1 milhão desde a eleição presidencial de 2006. E afirmaram que estarão unidos para enfrentar Chávez na próxima, em 2012."Assumimos o compromisso: eles poderão ter sua emenda, mas esta alternativa a derrotará em 2012", afirmou Freddy Guevara, líder estudantil que surgiu na campanha pelo "não" no referendo de 2007, e agora é membro do partido Um Novo Tempo. Omar Barboza, presidente do Um Novo Tempo, lembrou que os oposicionistas, como "democratas", aceitaram participar do referendo mesmo com o "vantagismo" - o uso da máquina estatal em favor da campanha pelo "sim". Ele observou também que Chávez foi reeleito em 2006 com 62,8% dos votos. "Hoje obtém 54%, ou seja, reduziu-se em quase 10 pontos o apoio do povo." Também pertence à frente opositora o Podemos, que rompeu com Chávez quando ele propôs a reforma constitucional de 2007, que, na visão do partido, desvirtuava a Constituição de 1999. Seu líder, Ismael García, chamou a atenção para o fato de que, com 45% dos votos, a oposição poderá ocupar a "metade" da Assembleia Nacional nas eleições de 2010. O Podemos é o único partido opositor com cadeiras no Parlamento. Os outros boicotaram a eleição de 2005, afirmando que não havia sigilo do voto. O empresariado também forma uma frente contra o governo. O presidente do Conselho Nacional do Comércio, Nelson Maldonado, pediu ontem "desculpas ao povo" pelos empresários não terem sido capazes de explicar que "o caminho da liberdade e do desenvolvimento" era o voto pelo "não".

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