Opositores cortam sinal de TV do Paquistão por renúncia de premiê

Cerca de 400 manifestantes invadiram a sede da televisão estatal, que pouco depois foi retomada por soldados do Exército 

O Estado de S. Paulo

01 de setembro de 2014 | 09h10

ISLAMABAD - A televisão estatal do Paquistão foi atacada nesta segunda-feira, 1, por opositores que pedem a renúncia do primeiro-ministro Nawaz Sharif. Eles cortaram momentaneamente o sinal do canal, informou uma fonte oficial.

Cerca de 400 manifestantes invadiram as sedes sociais da Paquistão Televisão (PTV) em Islamabad após escalar os muros e render os guardas de segurança, disse um porta-voz policial. O PTV transmitiu imagens dos manifestantes entrando em suas instalações antes de o sinal ser cortado, de acordo com o jornal local Express Tribune.

Pouco depois, soldados do Exército desalojaram os manifestantes e a transmissão foi retomada.

O líder do protesto contra o premiê Imran Khan, à frente do Paquistão Tehreek-e-Insaf (PTI), negou que seus seguidores tenham participado do ataque à televisão.

A violência recomeçou nesta manhã no país com uma passeata dos manifestantes em direção à residência oficial de Sharif. No fim de semana, confrontos deixaram três mortos e 500 feridos.

Os manifestantes derrubaram a cerca que protege o Secretariado do Paquistão, residência oficial e escritório do líder paquistanês, apesar de a polícia ter usado material anti-distúrbios.

Protesto. Liderados por Khan e pelo clérigo Tahirul Qadri, milhares de pessoas acampam em Islamabad nas duas últimas semanas pedindo a renúncia de Sharif por corrupção e fraude eleitoral.

O chefe do Exército paquistanês, general Rahil Sharif, teve uma reunião com altos cargos militares após os enfrentamentos. Militares declararam apoio à democracia e expressaram preocupação com a situação, mas advertiram, em nota, que o Exército está "comprometido a cumprir seu papel em garantir a segurança do Estado".

Sharif, deposto em um golpe de Estado em 1999, tem uma difícil relação com os militares desde sua eleição por ter tentado se aproximar da Índia e por ter levado adiante o julgamento por traição do ex-ditador militar Pervez Musharraf. A ofensiva no Waziristão do Norte contra os insurgentes que começou em junho e Sharif atrasou em favor do diálogo também foi uma fonte de tensão.

Analistas e observadores consideram que, mesmo superando a crise, Sharif ficará enfraquecido pelo resto de seu mandato e o Exército tomará o controle da segurança e da política externa. / EFE

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