Opositores de Chávez tomam controle de petroleiros

Militares venezuelanos tomaram neste sábado o controle do navio petroleiro Pilín León, ancorado no Lago Maracaibo, cuja tripulação aderiu na quinta-feira à greve geral, aumentando a tensão no sexto dia de paralisação convocada pela oposição para forçar o presidente Hugo Chávez a aceitar a convocação em fevereiro de um referendo sobre sua permanência no poder. "Já temos o controle do petroleiro e o capitão foi substituído", disse Chávez em uma entrevista coletiva. Soldados da Guarda Nacional fortemente armados abordaram o Pilín León, que ficou conhecido como o líder da paralisação dos petroleiros. Onze dos 13 navios petroleiros que fazem parte da frota PDV-Marina, da Petróleos da Venezuela (PDVSA), aderiram à greve depois do Pilín León. Os 11 navios estão provocando um engarrafamento nos portos da Venezuela, o quinto maior exportador mundial de petróleo, e prejudicando o escoamento dos combustíveis. O governo organizou um plano para recuperar o controle dos navios que aderiram à paralisação e a Guarda Nacional deverá abordar, um a um, todos os petroleiros grevistas. O primeiro vice-presidente da estatal PDVSA, Jorge Kamkoff, anunciou neste sábado que toda a direção da empresa, coração econômico do país, pôs seus cargos à disposição. A renúncia coletiva exclui o presidente da PDVSA, Alí Rodríguez. Desde quinta-feira, a greve geral vem atingindo as atividades da vital indústria petrolífera, com paralisações parciais da refinação do petróleo e do transporte marítimo. Há três dias nenhum navio petroleiro deixou a Venezuela, comprometendo contratos da PDVSA com o exterior, a maioria com os EUA. A Venezuela é o terceiro maior fornecedor de petróleo dos EUA. A redução do fornecimento de petróleo levou a estatal a declarar "força maior", uma figura legal para proteger-se de ser processada por seus compradores diante de um eventual não cumprimento das entregas. Chávez admitiu neste sábado que a greve opositora está afetando a produção de petróleo e reduzindo sua exportação. "A produção já está sendo afetada e algumas refinarias foram fechadas. Nossos clientes, é claro serão afetados", disse Chávez a jornalistas estrangeiros, advertindo que isso será um grande risco para o país. A situação da indústria petrolífera venezuelana piorou no sexto dia de greve, com o fechamento de novas instalações e a incorporação de novos setores à paralisação. Os trabalhadores do centro de armazenamento de combustível na cidade de Puerto de La Cruz, oeste, e da cidade de Yagua, no centro do país, paralisaram seu trabalho em apoio à greve, negando-se a carregar os caminhões-tanque que abastecem as regiões próximas. Também aderiram à paralisação os trabalhadores do centro de distribuição do porto de La Guaira, a 20 quilômetros de Caracas, de onde é distribuído o combustível para a capital. A refinaria El Palito, a terceira maior do país, estava operando em condições mínimas e a ponto de parar, informou o gerente do complexo, Andrés Riera. Ele acrescentou que a situação na indústria já é incontrolável depois da paralisação de 11 petroleiros e do fechamento da refinaria de Amuay-Cardón, considerada uma das maiores do mundo e onde se processam diariamente 800 mil barris diários de petróleo.

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