Opositores de Morales ameaçam dividir a Bolívia

Enquanto centenas de milhares de oponentes do presidente boliviano, Evo Morales, planejam manifestações na próxima sexta-feira, o impasse sobre a nova constituição do país persiste e se agrava. Primeiro presidente de origem indígena da Bolívia, Morales controla pouco mais da metade da popularmente eleita Assembléia Constituinte, e diz que o sistema de maioria simples é suficiente para aprovar quaisquer mudanças que darão mais voz à população desfavorecida.Mas em regiões prósperas do leste da Bolívia, opositores do governo insistem que apenas a maioria absoluta de dois terços pode mudar a Constituição - a Assembléia conta com 225 membros. Após meses de um debate ácido, os opositores, concentrados principalmente no rico Departamento (equivalente a um Estado) de Santa Cruz, estão levando a luta paras as ruas, exigindo maior autonomia e até mesmo ameaçando rachar o país em dois. Alguns líderes da oposição têm alertado que os protestos de sexta-feira podem desencadear em aplicação de força pelo Exército. Morales declarou lei marcial esta semana, mas não disse que usaria força militar para evitar que as prósperas planícies rebeladas da Bolívia se separassem dos pobres planaltos andinos. "Começamos a pegar a Bolívia de volta", disse Morales, referindo-se às elites do país liderando o movimento de autonomia. "Agora que eles não podem vender o país, eles querem dividi-lo, esta é questão básica. Não haverá divisão."Por enquanto a luta é sobre autonomia, mas analistas dizem que exigências por uma completa independência estão crescendo entre aqueles que temem as reformas populistas de Morales na Constituição. "Metade do país está de um lado dizendo, ´estou nessa posição há 500 anos e Evo é meu salvador´", disse Eduardo Gamarra, um cientista político boliviano da Universidade Internacional Florida. "E a outra metade diz, ´se for do jeito deles, eu talvez tenha que mudar para Miami´".

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