Opositores denunciam tortura por militares na Tailândia, diz ONG

Detidos afirmam que ficaram com mãos e pés amarrados, olhos vendados e foram torturados com choques elétricos

O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2014 | 11h22

BANGCOC - A ONG Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) denunciou nesta terça-feira, 2, que pelo menos 13 opositores e críticos ao golpe de Estado de maio foram torturados pela junta militar na Tailândia.

Em comunicado, a FIDH pediu ao primeiro-ministro tailandês, Prayuth Chan-ocha, que convoque o relator especial da ONU para a Tortura, Juan Méndez, para averiguar as denúncias de maus-tratos de dissidentes por militares após o levante.

"Começaram a surgir sérias denúncias de tortura. Se o primeiro-ministro Prayuth não tem nada para esconder, deveria permitir a entrada do relator especial da ONU para dirigir uma investigação independente", disse o presidente de FIDH, Karim Lahidji.

Segundo a ONG, os opositores denunciam que foram submetidos a torturas e maus-tratos para que dessem informações aos militares sobre suas conexões políticas ou para forçar confissões. "Os detidos alegam que tiveram as mãos e os pés atados durante dias e, em alguns casos, ficaram com os olhos vendados. Surras e chutes eram os métodos frequentes de tortura usados contra os detidos", explicou a organização em comunicado.

Outras formas de tortura denunciadas eram o uso de bolsas de plástico na cabeça ou descargas elétricas nos genitais, assim como simulações de execuções em centros militares de Bangcoc ou nas províncias do nordeste.

No dia 2 de agosto, a ativista tailandesa Kritsuda Khunasen, de 27 anos, também denunciou ter sido torturada durante o tempo que passou detida após o levante militar.

Segundo a lei marcial vigente na Tailândia, as autoridades não podem deter ninguém mais de sete dias sem acusações, embora a ativista tenha assegurado que os soldados lhe obrigaram a assinar um documento em que pedia a extensão de sua detenção "por razões de segurança".

Outro suposto caso de tortura é o de Worawut Thuagchaiphum, um estudante que foi ameaçado de morte pelos militares por protestar contra o golpe de Estado.

O Exército da Tailândia assumiu o poder no dia 22 de maio em um golpe e deteve centenas de políticos, ativistas e jornalistas, entre eles a ex-primeira-ministra Yingluck Shinawatra, que passou sob custódia militar vários dias.

A maioria dos detidos ganhou liberdade após assinar um documento em que se comprometiam a não interferir no comando das autoridades golpistas. Os militares asseguram que realizarão reformas no sistema para acabar com a corrupção antes da realização das eleições legislativas em 2015. / EFE

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