Goran Tomasevic/Reuters
Goran Tomasevic/Reuters

Opositores desafiam proibição e tomam ruas pelo segundo dia no Egito

CAIRO

, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2011 | 00h00

Milhares de egípcios desafiaram ontem o veto a protestos imposto pelo governo e foram às ruas pelo segundo dia consecutivo exigir a renúncia do presidente Hosni Mubarak, no poder há três décadas. Cenas de violência voltaram a ser registradas nas principais cidades do Egito - Cairo, Alexandria e Suez.

Seis pessoas morreram, quatro opositores e dois policiais, desde terça-feira. Mas a polícia disse que duas mortes ocorridas ontem foram por atropelamento. Ao menos 860 manifestantes foram presos.

Ontem, jovens que queimavam pneus e bloqueavam diferentes pontos do Cairo - incluindo a Corte de Justiça - foram dispersados com disparos de balas de borracha, tiros de advertência e canhões de água. O número de opositores nas ruas foi menor no segundo dia de protestos. Mas os manifestantes conseguiram driblar o forte cerco imposto pelas forças policiais, que haviam prometido "tolerância zero" contra distúrbios.

O Parlamento e o prédio da TV estatal amanheceram cercados por centenas de policiais de joelheiras, capacetes, escudos e cassetetes. À noite, milhares de opositores que marchavam em um dos bulevares à beira do Nilo, no centro do Cairo, foram recebidos com bombas de gás e disparos de balas de borracha. Repórteres da Associated Press que acompanhavam os protestos foram proibidos de filmar e agredidos pela polícia.

Em Suez, a polícia conseguiu impedir que manifestantes invadissem o necrotério onde está o corpo de uma das vítimas. Segundo testemunhas, um prédio público da cidade foi incendiado.

Em meio à instabilidade, o ministro do Comércio do Egito, Rachid Mohamed Rachid, cancelou sua ida ao Fórum Econômico Mundial, em Davos.

Difuso, o movimento teve início duas semanas após a chamada "revolução de jasmim" derrubar o ditador da Tunísia, Zine al-Abidine Ben Ali. Egípcios pedem o fim da era Mubarak, além de medidas para combater a pobreza, com os mesmos slogans que tunisianos usaram para depôr Ben Ali.

Facebook e Twitter têm sido os principais instrumentos dos manifestantes. Grupos de oposição denunciaram que os dois serviços tinham sido derrubados, mas o governo negou ter adotado medidas de censura. Um porta-voz do Facebook disse à agência Reuters que o acesso à rede no Egito parecia normal, enquanto o Twitter confirmou que seu sinal foi temporariamente bloqueado na terça-feira.

Os protestos ampliam a incerteza sobre o futuro do Egito, um dos principais aliados dos EUA no mundo árabe. Há especulações sobre a saúde frágil de Mubarak, de 82 anos, e sobre sua capacidade de passar o poder para Gamal, seu filho. Telegramas vazados pelo WikiLeaks indicam que a cúpula militar do Cairo não apoiaria a sucessão dentro da família. Para muitos egípcios, as cenas de violência evidenciam a vulnerabilidade de Mubarak. Ele tentará confirmar seu poder nas urnas em setembro, em um processo eleitoral amplamente questionado dentro e fora do Egito. / AP e REUTERS

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