Opositores e seguidores da Irmandade Muçulmana se enfrentam no Egito

Milhares de manifestantes contrários à Irmandade Muçulmana entraram em choque com seguidores do grupo islâmico nesta sexta-feira perto de sua sede, no Cairo, e pelo menos 40 pessoas ficaram feridas, segundo as autoridades.

Reuters

22 de março de 2013 | 17h05

Policiais da tropa de choque usaram gás lacrimogêneo para dispersar os grupos que brigavam nas ruas próximas ao edifício. Os manifestantes atiravam coquetéis molotov e pedras, segundo uma testemunha.

Antes, simpatizantes da Irmandade Muçulmana já haviam sido recebidos a pedradas ao chegarem de ônibus ao local, e responderam também com pedras.

Um porta-voz do Ministério da Saúde, Khaled al Khatib, disse à agência estatal de notícias Mena que entre os feridos está o ex-candidato presidencial liberal Khaled Ali, lesionado no ombro.

A TV estatal mostrou muita fumaça na região. Um funcionário da Irmandade disse à Mena que ônibus do grupo estavam sendo queimados. A Irmandade, à qual pertence o presidente do Egito, Mohamed Mursi, havia prometido na quinta-feira defender sua sede.

O Ministério do Interior pediu que "forças revolucionárias e políticas" permaneçam pacíficas e acrescentou que a tropa de choque foi mobilizada para "proteger a propriedade pública e privada".

Nesta semana, houve protestos entre manifestantes anti-Irmandade e policiais em frente à sede do grupo, mas nesta sexta-feira a polícia pareceu não se envolver nos confrontos.

Em Alexandria, segunda maior cidade do país, uma sede da Irmandade foi invadida e vandalizada, segundo Anis al-Qadi, porta-voz da Irmandade na cidade. Houve confrontos também em Sharquia, província natal de Mursi, no delta do Nilo, segundo a TV estatal.

Embora os protestos no Egito tenham diminuído desde o fim de 2012, quando milhares saíram às ruas após Mursi se autoatribuir amplos poderes, o Egito ainda está profundamente dividido entre os políticos islâmicos, incluindo a Irmandade, e os grupos de oposição.

As turbulências prejudicam os esforços de Mursi, eleito em junho, para atrair investimentos e turistas, a fim de reavivar a crise econômica e reverter a queda da moeda local.

(Reportagem de Sylvia Westall)

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