Twitter/Lilian Tintori/via REUTERS
Twitter/Lilian Tintori/via REUTERS

Líderes opositores venezuelanos voltam a ser detidos pelo governo

Leopoldo López e Antonio Ledezma estavam em prisão domiciliar e foram retirados de casa por agentes do Serviço de Inteligência na madrugada desta terça-feira; famílias dizem desconhecer paradeiros e responsabilizam presidente Nicolás Maduro pela vida deles

O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2017 | 03h55
Atualizado 01 Agosto 2017 | 08h05

CARACAS - Leopoldo López e Antonio Ledezma, os dois presos mais emblemáticos da oposição venezuelana e ambos em prisão domiciliar, foram detidos e levados na madrugada desta terça-feira, 1 º, por agentes do Serviço de Inteligência (Sebin) da Venezuela.

As famílias indicaram que não sabem para qual prisão os dois foram levados e afirmaram que o presidente Nicolás Maduro é responsável pela vida de ambos. O Ministério da Informação não forneceu dados de imediato sobre as detenções.

As residências de López e Ledezma ficam na zona leste de Caracas, principal cenário dos protestos dos últimos quatro meses contra Maduro que deixaram mais de 120 morto.

"Acabam de levar Leopoldo de casa. Não sabemos onde está nem para onde o levam", denunciou no Twitter a mulher de López, Lilian Tintori. Víctor, Vanessa e Antonietta, filhos de Ledezma - prefeito de Caracas - também informaram no Twitter que o Sebin levou seu pai.

Lilian divulgou um vídeo da câmera de segurança da casa da família (veja abaixo), que mostra quatro agentes e três homens com trajes civis no momento em que colocam López em uma viatura com identificação do Sebin e o levam, escoltado por outros veículos.

Líderes opositores e a imprensa divulgaram imagens gravadas com um telefone celular do momento em que Ledezma foi retirado, de pijama, com violência de sua casa. "Auxílio", gritou o prefeito. Depois é possível ouvir os gritos com pedidos de ajuda dos vizinhos. 

López, de 46 anos, estava em prisão domiciliar desde 8 de julho, depois de passar três anos e cinco meses na prisão militar de Ramo Verde, nas proximidades de Caracas, onde cumpria uma pena de quase 14 anos, condenado pela acusação de instigar a violência nos protestos de 2014 contra Maduro, que deixaram 43 mortos.

Ledezma, de 62 anos, foi detido em fevereiro 2015, acusado de conspiração e associação para delinquir. Três meses depois obteve o benefício da prisão domiciliar por motivos de saúde, depois de ser operado de uma hérnia.

A ONG Foro Penal afirma que a Venezuela tem 490 "presos políticos", após a onda de detenções nos protestos iniciados em abril para exigir a saída de Maduro.

Apelos contra a Constituinte

Os dois líderes opositores fizeram apelos na última semana para que as pessoas não votassem no domingo na eleição da polêmica Assembleia Constituinte, convocada por Maduro e rejeitada pela oposição e por vários países.

"Levam Leopoldo López e o prefeito Ledezma para provocar medo e nos desmoralizar (...) A ditadura tem seu tempo contado. Prisão e perseguição aos líderes não vai deter a rebelião", disse o deputado Freddy Guevara, vice-presidente do Parlamento.

O deputado, coordenador do partido Vontade Popular, que fundou com López, atribuiu as prisões à "posição firme e clara" de ambos contra o que chamou de "fraude" eleitoral de domingo.

Em um vídeo divulgado na semana passada, López pediu aos militares que não fossem "cúmplices" do "aniquilamento do Estado". Em várias mensagens no Twitter pediu à população que permanecesse nas ruas até obter o "retorno da democracia" e à comunidade internacional que não reconhecesse a Assembleia Constituinte.

Ledezma também divulgou um vídeo no qual aparecia com uma bandeira venezuelana ao fundo e defendia a resistência ao que chamou de "regime totalitário" e "tirania". Ele advertiu que assumia os riscos pela publicação da mensagem.

Maduro afirma que a Constituinte promoverá a paz e o diálogo, mas a oposição, que se recusou a participar na eleição, considera que é uma tentativa do presidente de perpetuar-se no poder, instaurar um modelo comunista e neutralizar os críticos e adversários.

A Constituinte será instalada na quarta-feira, dia em que a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) convocou um protesto em Caracas para denunciar sua "ilegitimidade". A MUD considera uma fraude o resultado oficial de oito milhões de eleitores (42,5% de participação), enquanto Maduro chamou o mesmo de "triunfo histórico. / AFP, REUTERS e EFE

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