Marco Bello/Reuters
Marco Bello/Reuters

Opositores recebem subornos do chavismo, diz Capriles

Acusação ocorre depois de a MUD paralisar negociações com o governo para pôr fim à crise política na Venezuela

O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2016 | 17h29

CARACAS - O líder opositor venezuelano Henrique Capriles denunciou nesta quarta-feira,  que membros da oposição recebem subornos do chavismo para vazar informações, e convocou um expurgo em suas fileiras.

"Isso que dizem, que (o governo) tem gente dentro da oposição que o informa, acredito que é verdade. Gente que fala da mudança e recebe dinheiro de 'boliburgueses' (em referência a governistas endinheirados)", disse Capriles em uma declaração divulgada nesta quarta-feira.

Sua denúncia foi feita depois que a coalizão opositora Mesa de la Unidad Democrática (MUD) congelou o diálogo com o governo para resolver a crise política, iniciado no dia 30 de outubro com o acompanhamento do Vaticano e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

A MUD tomou esta decisão na terça-feira - que não implica a ruptura das negociações - alegando que o governo descumpriu o que foi decidido quanto a uma saída eleitoral para a crise e a libertação de opositores presos.

Capriles, cujo partido participa da negociação, anunciou que em breve divulgará "nome e sobrenome" dos políticos que, segundo ele, são pagos e negociam "nos bastidores" com o governo do presidente socialista Nicolás Maduro.

O também governador do estado de Miranda defendeu os delegados da MUD na negociação, mas sustentou que o diálogo foi "muito mal administrado, muito mal comunicado" e "não há resultados".

Principal impulsionador de um referendo revogatório contra Maduro - cujo processo foi suspenso no dia 20 de outubro - Capriles descartou que os negociadores da MUD tenham pactado com o governo o enterro desta iniciativa.

No entanto, denunciou o oportunismo de alguns copartidários que, segundo ele, apoiaram a consulta sem acreditar nela e posteriormente, diante da complicação do processo, acomodaram suas posições, confundindo o povo./ AFP

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