REUTERS/Maxim Zmeyev
REUTERS/Maxim Zmeyev

Opositores russos apresentam relatório sobre ingerência militar de Putin na Ucrânia

Colegas de Boris Nemtsov divulgam relatório elaborado com base em investigação iniciada pelo político russo antes de seu assassinato, em fevereiro

O Estado de S. Paulo

12 de maio de 2015 | 10h34

MOSCOU - Colegas do opositor russo Boris Nemtsov, assassinado em fevereiro em Moscou a cerca de 200 metros do Kremlin, apresentaram nesta terça-feira, 12, um relatório com "provas extensas" sobre a ingerência militar russa na Ucrânia, estabelecidas a partir do testemunho de soldados ou de seus parentes.

O documento de 65 páginas intitulado de "Putin. Guerra" foi redigido com base no trabalho de investigação feito por Nemtsov antes de ser morto, que reuniu reúne testemunhos de parentes de soldados russos mortos em combate, de militares russos detidos em território ucraniano e de outras pessoas que revelaram informações de forma anônima. 


Os autores do relatório, entre eles o opositor Ilia Yashin, afirmam que as "provas e os relatos de testemunhas-chave" determinam o papel desempenhado pelo Exército russo no conflito ucraniano. "Queremos contar a verdade ao povo russo, a essa maioria que apoia o presidente (Vladimir) Putin. Este relatório prova que a direção do nosso país é culpada de um crime que causou vítimas ucranianas e russas", disse Yashin.

De acordo com Yashin, que apresentou o texto para a imprensa, as tropas russas cruzaram pela primeira vez de forma maciça a fronteira ucraniana em agosto, durante uma contraofensiva vencedora dos rebeldes em Ilovaisk e em uma frente de combate ao sul de Donetsk.

Em janeiro e fevereiro, mais soldados russos teriam sido enviado ao território ucraniano para pressionar o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, e negociar um cessar-fogo em Minsk, na Bielo-Rússia."Todos os êxitos militares dos separatistas em pontos-chave foram alcançados por unidades do Exército russo", disse Yashin.

Yashin admitiu, porém, que todos os elementos do relatório foram compilados a partir da Rússia, sem uma investigação mais profunda em território ucraniano. "Nem Putin nem seus generais têm coragem de admitir a agressão militar contra a Ucrânia. Apresentam mentiras covardes e hipócritas como se fosse uma grande sabedoria política."

Segundo estimativas do relatório póstumo de Nemtsov, cerca de 220 soldados russos foram mortos ao longo do confronto - 150 em agosto e cerca de 70 em janeiro e fevereiro.

Questionado sobre as informações do relatório divulgado pela oposição, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse desconhecer a investigação dos opositores. "Não conheço esse relatório, por isso não posso fazer comentários", afirmou Peskov.

O porta-voz acrescentou que sua agenda, carregada "de outros assuntos", não lhe permite saber se terá tempo para ler o documento. / AFP e EFE

Tudo o que sabemos sobre:
Boris NemtsovRússiaVladimir Putin

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.