Mohamed Abd El-Ghany/Reuters
Mohamed Abd El-Ghany/Reuters

Opositores sírios são recebidos com ovos por manifestantes no Cairo

Grupo contrário a Assad negociaria com Liga Árabe, mas foi atacado por defender diálogo com o regime

Associated Press

09 de novembro de 2011 | 16h00

BEIRUTE - Um grupo de oposição da Síria foi atacado com ovos por manifestantes na sede da Liga Árabe, no Cairo, nesta quarta-feira, 9, e foi impedido de entrar no local para discutir a violência no país com líderes do órgão regional. O episódio evidencia as divisões entre os sírios sobre os oito meses de confrontos por causa dos protestos contrários ao regime do presidente Bashar Assad.

 

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O ataque aparentemente aconteceu porque o grupo que se dirigia à Liga Árabe - membros do Comitê de Coordenação Nacional da Síria - pretendia negociar com o regime de Assad. Os manifestantes os impediram de entrar sob gritos de "Não vamos conversar com o governo!". O órgão regional disse que a delegação se retirou e voltaria em pouco tempo, mas depois informou que um delegado da Liga Árabe já estava em contato com os opositores.

 

O Comitê de Coordenação Nacional, sediado na Síria, é um rival do Conselho Nacional Sírio, grupo formado na Turquia e que rejeita qualquer contato com o governo sob a atual repressão conduzida por Assad. "O que aconteceu em Cairo é um comportamento completamente aceitável que favorece o regime e prejudica nossos objetivos", disse Sada Hamzeh, um dissidente sírio que mora em Paris.

 

Alguns sírios veem o Comitê, que inclui ex-presos políticos e ativistas mais velhos, como um órgão que tenta dialogar e se engajar com Assad. Muitos manifestantes levavam cartazes na Síria afirmando que a entidade não os representava. Membros do grupo rejeitam tais acusações e afirmam que não haverá negociação com o regime, mas há relatos de divergência de opinião dentro do Comitê.

 

Hussein al-Odat, membro do Comitê, afirmou que não haverá diálogo enquanto Assad não implementar a primeira parte do plano proposto pela Liga Árabe - e aceito por Damasco. "Depois disso, teremos negociações para uma transição democrática, pluralista e discutiremos os termos do período de mudança", disse ele. Al-Odat ainda disse que o grupo foi ao Cairo por convite do secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Elaraby.

 

A Síria aceitou um plano da Liga Árabe para acabar com a violência, que já dura mais de oito meses no país. A proposta previa a retirada do Exército das ruas, o início do diálogo com a oposição, a libertação de todos os presos políticos e uma série de outras medidas para dar fim à repressão que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), já matou 3,5 mil pessoas.

 

O plano, porém, não surtiu efeito e a violência continua. Somente na última semana, mais de cem pessoas morreram em Homs, um dos principais focos de oposição a Assad. Ativistas informaram que ao menos 12 pessoas morreram nesta quarta em todo o país devido à ação das forças de segurança. 

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