Opositores temem a radicalização de projetos chavistas

Analistas dos principais jornais venezuelanos estão preocupados com o período de transição, entre a eleição e a posse da nova Assembleia Nacional, em janeiro. Embora se tivesse como certo que o presidente Hugo Chávez manteria a bancada majoritária no Legislativo, há uma quase unanimidade na perspectiva de que o governo acelerará seus projetos mais radicais nesse espaço de tempo, seja qual for o resultado final da eleição de ontem.

Cenário: Roberto Lameirinhas, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2010 | 00h00

Esses projetos incluiriam a adoção de instrumentos jurídicos para que Chávez intensifique a nacionalização de empresas privadas, a expropriação de terras e imóveis e o controle das organizações da sociedade civil. Dorme nas gavetas da Assembleia, por exemplo, uma proposta do governo para regulamentar "contratos de cooperação internacional".

Tal projeto, como explicou ao Estado Ewald Scharfenberg, que dirige o Instituto Prensa y Sociedad, obedeceria a duas finalidades: criaria um marco legal para a ação internacional de Chávez, que transfere centenas de milhões de dólares para países aliados, e instalaria um fundo para centralizar todas as doações em dinheiro do exterior para ONGs do país. "Pelo projeto, o repasse desses fundos seria feito de acordo com critérios oficiais de prioridade social", diz Scharfenberg.

No caso de a oposição tirar de Chávez a maioria de dois terços da Assembleia, o governo pressionará a atual legislatura para limpar a pauta do Parlamento para evitar obstruções a partir de janeiro. Se as urnas forem favoráveis ao chavismo, porém, o presidente terá um cheque em branco para seguir com seus programas radicais com os quais promete "demolir a oposição", consolidar seu "socialismo do século 21" e assegurar condições mais cômodas para reeleger-se em 2012.

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