Opositores veem oportunidade de divulgar suas ideias

CENÁRIO: Denise Chrispim Marin

O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2014 | 02h04

"Passei 15 anos ouvindo os senhores e tenho coisas a dizer", desabafou Henry Ramos Allup, secretário-geral do partido de oposição Ação Democrática, ao ser alertado sobre o fim do prazo de dez minutos para sua exposição, na quinta-feira.

Na primeira rodada de diálogo entre governo e oposição na Venezuela, Ramos e outros dez líderes oposicionistas alertaram a equipe de Nicolás Maduro sobre o "fracasso" de sua política econômica e o distanciamento do país dos valores democráticos e da própria Constituição. "Ou há mudança ou haverá uma explosão", resumiu o governador de Miranda, Henrique Capriles, candidato derrotado nas eleições presidenciais de abril de 2013 por Maduro.

Ramos atribuiu à incoerência do governo a versão de que a "direita fascista" organiza um golpe, tendo os protestos como um de seus instrumentos. Para dar um golpe, sustentou ele, é preciso força militar. "Se há algum tolo que acredite que um militar vai dar um golpe para pôr a faixa presidencial em um civil está equivocado", afirmou Ramos.

Ele alertou para o fato de as expressões "socialismo", "revolução bolivariana" e "chavismo" não constarem do modelo de governo e Estado desenhado na Constituição. "Os militares que se identificam como chavistas estão à margem da Constituição e isso causa mal-estar nos quartéis", afirmou.

Segundo o secretário-geral da Mesa da Unidade Democrática (MUD), Ramón Guillermo Aveledo, o governo faz propaganda partidária 24 horas por dia e provoca a falta de papel para os jornais.

"Em 2013, o senhor falou uma média de 28 minutos diários em cadeia nacional e, neste ano, em meio a esta crise, falou em média 1 hora e 52 minutos", afirmou, dirigindo-se a Maduro. "De forma que é justo que o país possa ouvir outra voz." Os opositores também criticaram a gestão econômica da administração de Maduro.

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