Federico Parra / AFP
Federico Parra / AFP

Opositores venezuelanos voltam às ruas para pedir saída de Maduro

Marcha foi convocada por Juan Guaidó, que exige que o presidente chavista dê fim à ‘usurpação do poder’ no país para convocar novas eleições

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2019 | 12h35
Atualizado 16 de novembro de 2019 | 22h12

CARACAS - Milhares de opositores se mobilizaram neste sábado, 16, em Caracas, convocados pelo líder opositor Juan Guaidó, para exigir mais uma vez a saída do poder do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que também reuniu seus apoiadores.

Com bandeiras da Venezuela e bonés de três cores, os manifestantes se concentraram em pontos como Praça Altamira, no leste da capital, para marchar por 3 km até a esplanada José Martí, onde Guaidó fez um discurso.

O líder opositor pediu para seus partidários não desistirem e se manterem protestando até o presidente cair. "Não vamos desmaiar, desfalecer. A Bolívia ficou 18 dias, nós ficamos anos. Está na hora se continuar. A toda Venezuela peço para nos mantermos em protesto", disse Guaidó diante de milhares de seguidores. 

O opositor tenta aproveitar a recente renúncia de Evo Morales, na Bolívia, para aumentar a pressão nas ruas. "Rua sem volta, significa que temos uma agenda de conflito permanente (...), rua sustentada. Aqui a luta é até o fim da usurpação, até conseguir eleições livres", afirmou Guaidó, reforçando seu apelo aos militares. "Estou pedindo que se coloquem ao lado da Constituição."

"Vamos às ruas nos reencontrar juntos exercendo maioria, exigindo a maior reivindicação: a Venezuela", escreveu nesta manhã Guaidó no Twitter. Ele demanda que Maduro dê fim à "usurpação do poder" para convocar eleições.

A presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez - que se declarou mandatária após a renúncia dele -, afirmou em um vídeo que deseja que Guaidó "liberte o povo venezuelano". 

O dia é crucial para a liderança de Guaidó, que não conseguiu organizar nos últimos meses manifestações grandes como as que acompanharam sua autoproclamação, em janeiro, com o reconhecimento de cerca de 50 países, entre eles Brasil e Estados Unidos.

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A deste sábado parecia longe de reunir as dezenas de milhares de pessoas do começo do ano. Seus 5 mil manifestantes, contudo, formam o maior protesto desde 1.º de maio, um dia depois de um levante militar fracassado liderado por Guaidó, que exigia que Maduro interrompesse a "usurpação do poder" para convocar eleições. 

"Se não acontecer nada extraordinário, a liderança de Guaidó pode ir para a geladeira", disse o cientista político Jesús Castillo-Molleda.

‘Venezuela toda acordada’

Sob o lema "Venezuela toda acordada", os opositores se reuniram em pelo menos outros cinco pontos da cidade, onde o metrô fechou duas linhas do setor por onde as marchas passarão, sob justificativa de manutenção. 

"Viemos com altas expectativas de que seja uma marcha em que não apenas dirigentes políticos subam em um palanque para falar umas coisas e todos voltem para casa", explicou Omar Kienzler, estudante de direito de 19 anos, na Praça Altamira.

"Hoje, esperamos que sejam dadas declarações fortes, contundentes, que nos deem um caminho para toda Venezuela alcançar o fim definitivo da usurpação", acrescentou.

Chavistas também marcham

Maduro também convocou seus correligionários, sob denúncias de que a oposição planeja, com os Estados Unidos, ações violentas para reeditar o "golpe de Estado" que Evo Morales teria sofrido na Bolívia.

"Mobilizados e alertas! Hoje, as ruas de Caracas se enchem com a alegria de nosso povo para defender seu direito sagrado à democracia, à liberdade, à convivência e à felicidade. Digamos ao mundo que a Venezuela está de pé e em paz, construindo a pátria socialista", escreveu Maduro no Twitter. / AFP

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