Saul LOEB / AFP
Saul LOEB / AFP

Opositores veteranos, Pelosi e McConnell se enfrentam no impeachment de Trump

Dois chefes do Legislativo dos EUA medem forças e testam influência dentro dos partidos Democrata e Republicano

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2019 | 15h03

Nancy Pelosi e Mitch McConnell, dois legisladores veteranos, estão sendo colocados frente a frente para um duelo em suas respectivas Casas no Congresso dos Estados Unidos para definir o destino de Donald Trump. Quase octogenários, os dois rivais são hoje os donos do jogo político. Trata-se de casal  que galgaram posições-chave no Congresso por causa de astúcia política, coragem e determinação.

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Pelosi, presidente da Câmara dos Deputados, é calma, dura e age bem sob pressão. Ela é a líder dos democratas no Congresso e a principal inimigo de Trump. Pelosi guiou todos os seus colegas de partido durante a investigação para o julgamento político de Trump. É quase certo que este ícone do poder feminino americano manterá seu grupo próximo o suficiente para que a acusação ocorra.

No extremo oposto do Capitólio, o presidente do Senado se tornou o principal defensor de Trump.  "Não haverá diferença entre a posição do presidente e a nossa", disse ele para interromper qualquer especulação sobre possíveis deserções no campo republicano se ocorrer um julgamento político contra o presidente, que provavelmente deve começar em janeiro. Embora os dados pareçam já ter sido jogados, os rivais Pelosi e McConnell serão protagonistas de um duelo histórico no processo para condenar ou afastar o 45.° presidente dos Estados Unidos.

Durante anos, McConnell usou sua artimanhas regimentais para amarrar os democratas, influenciar a agenda de seu partido e­ bloquear as prioridades de seus rivais. Todos os sinais sugerem que ele ordenará que seus soldados do Partido Republicano mantenham a linha no julgamento do Senado. Assim, ajudará Trump a evitar uma condenação que tiraria Trump da sua cadeira na Casa Branca. "Não sou um júri imparcial", disse McConnell a repórteres na terça-feira, 17.

Luta dos Titãs

Pelosi, de 79 anos, foi eleita para o Congresso em 1987 e tem sido uma pedra no sapado de Trump desde que o presidente assumiu o cargo, mas principalmente desde que ela se tornou a líder da Câmara, em janeiro passado. McConnell, de 77 anos, entrou no Senado em 1984 e continua sendo uma força poderosa. "McConnell é professor do processo legislativo, e a maneira como ele está disposto a usar  esse conhecimento para alcançar seus resultados é notável", disse à AFP Jennifer Lawless, professora de Ciências Políticas da Universidade da Virgínia.

Segundo Lawless, a principal missão de McConnell tem é manter a Casa Branca feliz. "É quase inédito que 20 republicanos desistam", disse ele, referindo-se ao número de senadores do partido de Trump que precisariam votar com os democratas para condenar Trump.

"É muito mais importante que Pelosi solidifique seu legado e faça com que aconteça (o impeachment) na Câmara", disse Lawless sobre a acusação.

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É certo que a líder democrata relutou em iniciar a investigação, temendo uma reação negativa, após a apuração de dois anos sobre interferência eleitoral russa em 2016. No entanto, concluiu que Trump violou seu juramento à Constituição dos Estados Unidos pressionando a Ucrânia a investigar seu rival democrata e que ele deve ser responsabilizado.

Um xadrez tridimensional 

Pelosi foi atraída para política desde a infância. Seu pai e um de seus irmãos eram prefeitos de sua cidade natal, Baltimore. Ela entrou no Congresso para representar San Francisco. Como moderada, ela atribui em parte seu próprio sucesso à capacidade de "levar pancadas".

Pelosi ganhou pontos entre os democratas por ousar enfrentar o presidente. E emprega uma certa "inteligência política" que ajuda a controlar um grupo democrata historicamente diversificado, disse Lawless. Quando se trata do xadrez tridimensional de Washington, "acho Pelosi o melhor", disse o senador democrata Sherrod Brown.

Durante a votação histórica desta quarta-feira, 18, Pelosi será julgada por sua capacidade de "atrair" democratas eleitos em distritos de tendência republicana que são céticos em relação à acusação, disse Lawless. Poderia a cruzada de Pelosi em acusar Trump ajudar as eleições presidencial e legislativas dos democratas em 2020? Isso só será sabido em onze meses. Lá, todos saberão se os instintos dela estavam corretos. / AFP

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