Orçamento de guerras dos EUA fica imune a cortes no Pentágono

Obama promete manter financiamento no Iraque e Afeganistão, apesar da pressão republicana para reduzir gasto público

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2011 | 00h00

Os cortes no Pentágono, anunciados esta semana, não devem afetar os gastos dos EUA nas guerras do Iraque e Afeganistão. Apesar de ter tomado esse cuidado, o governo de Barack Obama não escapou de críticas da oposição republicana, que assumiu o controle da Câmara dos Deputados na quarta-feira.

"Não estou feliz. Isso é uma mudança dramática para um país em guerra e um sinal perigoso do nosso comandante-chefe", disse o presidente da Comissão das Forças Armadas na Câmara, o deputado republicano Howard McKean. Embora defenda a redução do gasto público, a oposição é contrária à inclusão da Defesa nos cortes.

Ao todo, serão cortados US$ 178 bilhões do Pentágono ao longo dos próximos cinco anos. As reduções não significam menos gastos.

Na verdade, haverá menores elevações ao longo dos próximos anos, até a total estabilização nos aumentos do orçamento da Defesa, sendo corrigido apenas com base na inflação. A redução será portanto em função da perspectiva de crescimento até 2015. Os custos com as guerras não são incluídos e devem permanecer inalterados.

Mudança de cenário. Analistas já esperavam os cortes e muitos elogiaram a atitude do governo. O foco deve ser a modernização das Forças Armadas, segundo disse em análise Michael O"Hanlon, especialista em Defesa da Brookings Institution. Segundo escreveu em artigo, o Exército deve estar mais "preparado para agir em áreas como o terrorismo, doenças contagiosas e conflitos civis".

Trata-se de um cenário bem distinto da época da Guerra Fria, quando o inimigos eram Exércitos nacionais, como a URSS. Os gastos com a Defesa chegaram a 9% do PIB nos anos 1960, cerca do dobro dos níveis atuais.

Os planos anunciados pelo secretário da Defesa, Robert Gates, seguem justamente essa linha: cortar em áreas não relacionadas às novas formas de conflito.

Armas inúteis para lutar em teatros de operação como a Afeganistão se tornaram desnecessários.

Um avião não tripulado usado para atacar líderes do Taleban é bem mais útil do que caças que não tem uma Força Aérea adversária para lutar, segundo o chefe do Pentágono e defensores das reduções. A gigante burocracia de Defesa americana também será alvo das reduções para ser mais eficiente.

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