Ordens de Dilma causam mal-estar no Itamaraty

Ministro de Relações Exteriores, Patriota equilibra-se entre aparente desejo da presidente de controlar a política externa e a frustração de diplomatas

LISANDRA PARAGUASSU , BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2012 | 03h05

O governo brasileiro vem sofrendo com a incompatibilidade crônica entre a presidente Dilma Rousseff e o Itamaraty. No meio da má vontade da presidente com a diplomacia e seus detalhes, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, tem sido alvo de reclamações e crítica, enquanto tenta se equilibrar entre o aparente desejo da presidente de comandar diretamente as relações externas e a frustração dos diplomatas.

A última crise causada pela mão de ferro da presidente foi a inclusão da Venezuela no Mercosul à revelia do Paraguai, membro suspenso, mas não expulso, do bloco. A decisão, tomada pela presidente, foi contra todas as recomendações do Itamaraty e de Patriota, que já havia até mesmo convencido os venezuelanos a esperar algum tempo para que pelo menos não se fizesse a entrada no mesmo momento em que se suspendia o Paraguai, o único país a não ter ainda aprovado o novo membro do grupo.

Dilma, no entanto, achou que aquele era o melhor momento. Encomendou um estudo jurídico à Advocacia-Geral da União (AGU) e, apoiada pela presidente Cristina Kirchner, levou adiante o que foi visto com estranheza até por quem apoiava a suspensão do Paraguai.

O ministro teve de engolir em seco e defender a posição brasileira não apenas na imprensa, mas na frente de uma dezena de senadores que o responsabilizaram por todos os erros, passados e presentes, da diplomacia brasileira. Apesar da dificuldade em explicar a posição do País, Patriota foi elogiado no Planalto, o que não tem sido uma ocorrência comum.

A avaliação de assessores próximos de Dilma é que o Itamaraty, durante vários anos, teve vida própria. A política externa era regida basicamente pelos diplomatas e acatada pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso. Dilma, como em todo o restante de seu governo, quer controlar todos os detalhes e nem sempre o que é importante para a diplomacia merece sua atenção.

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