Organização completa 50 anos enfraquecida e isolada

Prisões desarticulam ETA, que perdeu apoio até de seus fundadores e recebe críticas de todos os lados

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2009 | 00h00

A ETA (Pátria Basca e Liberdade) completa hoje 50 anos, mas está mais isolada e fraca do que em qualquer outro momento de sua história. Segundo especialistas, fundadores do grupo e moradores do País Basco ouvidos pelo Estado, a cúpula da organização, cada vez mais jovem, mais pressionada pela polícia e sem formação política, perde apoio e recebe criticas de todos os lados. Criada em oposição à ditadura do general Francisco Franco (1939-76), seus 50 anos de atividade deixaram mais de 850 mortos. Há cerca de 800 membros da ETA atualmente na prisão. Para o professor de ciências políticas Rolégio Alonso, da Universidade Rei Juan Carlos, os atentados de quarta-feira e de ontem são apenas uma "demonstração fictícia" da força do grupo terrorista. Para ele, a ETA tenta mostrar que está viva. "Mas isso não esconde a fraqueza em que o grupo se encontra. Ele está em uma descomposição evidente", disse.Para Alonso, foi a pressão policial e judicial que levou ao enfraquecimento da ETA. Nos últimos anos, o número de prisões de chefes do grupo aumentou e a luta contra a ETA ganhou terreno com a chegada de Nicolas Sarkozy ao governo da França, em 2007. Sob seu comando, o país deixou de fazer vistas grossas aos dirigentes do grupo que usavam o território francês. Com a proliferação de prisões, a direção da ETA foi obrigada a passar por mudanças constantes. O grupo sofreu ainda golpes políticos. Neste ano, pela primeira vez desde a redemocratização da Espanha, o Partido Nacionalista perdeu as eleições no País Basco. Para os analistas, a derrota é sinal de exaustão do discurso separatista. TABUMoradores do País Basco dizem que criticar a ETA ainda é um tabu na região. Um jovem, que pediu anonimato, contou que a sociedade não sabe lidar com o fenômeno. "Muitas vezes não falamos sobre o tema para evitar perder amigos ou romper com a família", afirmou. "Não se estuda o terrorismo na escola."A atual situação da ETA também frustra Julen Madariaga, fundador da organização e um dos que criaram o movimento Aralar, um partido de esquerda no País Basco, independentista, mas que é contra a violência. Em entrevista a El País, Madariaga denunciou o uso da violência como recurso político."A ETA não teve a lucidez nem a valentia política de ver que os tempos mudaram, dentro e fora do País Basco", disse. "Quando a ETA foi fundada, tínhamos formação política, cultural e ideológica. Os que agora a comandam são crianças. Uns sem-cérebro que só pensam em matar", afirmou.

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