Organização de Cooperação de Xangai fecha as portas para entrada do Irã

Um dos critérios para participar da Organização é não estar sob sanções do Conselho de Segurança da ONU

Efe

11 de junho de 2010 | 12h51

MOSCOU - A Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês) fechou suas portas ao Irã, depois de aprovar nesta sexta-feira,11 , em Tashkent, capital do Usbequistão, um documento que estabelece os critérios de entrada de países no grupo, formado por Rússia, China e quatro repúblicas centro-asiáticas.

 

"O documento não permite que o Irã se torne membro da SCO. O texto estabelece muito claramente que um dos critérios (de entrada) é a necessidade de não estar submetido a sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas", disse o ministro de Assuntos Exteriores russo, Serguei Lavrov, segundo a agência russa

"Interfax".

 

O presidente russo, Dmitri Medvedev, afirmou que "países com dificuldades de ordem jurídica e, em particular, que estejam sujeitos a sanções da ONU não podem optar a serem membro da SCO".

 

Além de Rússia e China, a SCO é formada por Casaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Usbequistão.

 

No entanto, o documento aprovado hoje estabelece que o regime de sanções internacionais não é obstáculo para que o Irã, que solicitou em duas ocasiões sua entrada como membro pleno da SCO, continue em sua qualidade de país observador.

 

Anteriormente, o presidente do Usbequistão, Islam Karimov, anunciou que a aprovação dos critérios de entrada não significa a "ampliação automática" da SCO aos países observadores, entre os quais estão Índia, Mongólia e Paquistão, além do Irã.

 

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, foi convidado à cúpula, mas cancelou sua presença na última hora, depois que o Conselho de Segurança da ONU anunciou novas sanções contra seu país, por negar-se a colaborar com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

 

O ministro de Assuntos Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, que representou Ahmadinejad na reunião em Tashkent, ressaltou o caráter pacífico do programa nuclear de seu país.

 

"Nosso lema é 'energia nuclear para todos, armas nucleares para ninguém'", disse Mottaki, segundo a agência oficial russa "Itar-Tass".

 

O ministro qualificou de injustas as sanções do Conselho de Segurança da ONU e se perguntou se a adoção das medidas é uma resposta "às boas intenções do Irã", em alusão ao recente acordo alcançado entre seu país, Turquia e Brasil sobre troca de material nuclear.

 

Medvedev se pronunciou a favor de ampliar o número de países observadores, assim como de membros para o diálogo, entre os quais atualmente a SCO conta com Belarus e Sri Lanka.

 

Por outra parte, a organização anunciou que prestará assistência humanitária ao Quirguistão, o país mais pobre da região e palco de violentos enfrentamentos ultimamente, como os que na noite de ontem resultaram em ao menos 23 mortes e deixaram mais de 300 feridos.

 

"Os chefes de Estado concordaram hoje que todos darão sua contribuição nos projetos para ajudar a estabilizar a situação (no Quirguistão)", disse o chefe da diplomacia russa, que acrescentou que seu país já prestou assistência em várias ocasiões com um valor total de US$ 50 milhões.

 

Ele disse que a ajuda da SCO será coordenada para cobrir as principais necessidades do país.

 

Os presidentes dos Estados-membros da organização, exceto o Quirguistão, representado por seu ministro de Assuntos Exteriores interino, assinaram, além disso, uma declaração conjunta da cúpula e aprovaram uma série de documentos de procedimento e relatórios sobre os resultados da atividade da SCO em 2009.

 

Na reunião em Tashkent, a Presidência da SCO foi passada para o Casaquistão, cujo presidente, Nursultan Nazarbayev, anunciou que a próxima cúpula será realizada no dia 15 de junho de 2011, em Astana, capital do país.

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