AFP PHOTO / LUIS ACOSTA
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Instituições de esquerda da Colômbia denunciam ressurgimento de grupos paramilitares

Guerrilhas se desmobilizaram oficialmente em 2006, mas segundo denúncias, elas assassinaram 28 pessoas em fevereiro

O Estado de S. Paulo

16 de março de 2016 | 10h42

BOGOTÁ - Ao todo, 20 organizações colombianas de esquerda denunciaram na terça-feira o ressurgimento de grupos paramilitares no país, que oficialmente se desmobilizaram em 2006 mas que, segundo o registro dessas instituições, assassinaram 28 pessoas em fevereiro.

Os homicídios fazem parte de um relatório apresentado em Bogotá e assinado, entre outros, pelo Partido Comunista Colombiano (PCC), a Cúpula Agrária, o Movimento Nacional de Vítimas de Crimes de Estado (Movice) e vários congressistas do Polo Democrático Alternativo (PDA).

O documento relatou a morte de 13 líderes sociais e de direitos humanos, enquanto outras 15 pessoas "foram assassinadas durantes as ações de 'limpeza social' como parte da estratégia de terror (dos paramilitares) e com o desejo de controlar às comunidades onde fazem se fazem presentes". Os homicídios fazem parte das 54 agressões totais contabilizadas em fevereiro, uma situação descrita como "absolutamente grave" pela porta-voz do Movice, Soraya Gutierrez.

"Obviamente nós sabemos que são estruturas paramilitares que nunca se desmobilizaram e que continuam atuando. Apesar de o governo tentar negar e as qualificar como simples grupos criminosos, nós dizemos: são estruturas paramilitares com a mesma forma de atuação", disse Soraya.

A organização paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) se dissolveu oficialmente em 2006, durante a presidência de Álvaro Uribe (2002-2010), apesar de organizações sociais e de direitos humanos terem denunciado em 2015 seu ressurgimento como grupos armados espalhados pelo país.

No que diz respeito à onda de agressões em fevereiro, as organizações afirmaram que acreditavam que podia ser uma resposta à expectativa de uma possível assinatura do acordo de paz no dia 23, possibilidade praticamente descartada, assim como um eventual cessar-fogo bilateral e definitivo entre o governo e a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Outra possível razão apontada pelo documento é "intimidar os movimentos sociais, populares e de direitos humanos" frente à greve nacional programada para quinta-feira.

Os ataques aconteceram em 14 departamentos da Colômbia que "coincidem com as zonas prioritárias para a implantação do programa de pós-conflito", o que, segundo Soraya, "chama a atenção".

Durante a apresentação do documento, a líder do partido da União Patriótica (UP), Aída Avella, que perdeu quase 4 mil integrantes assassinados por paramilitares nos anos 1980, também esteve presente.

"Todas as unidades do grupo Autodefesas Unidas da Colômbia foram reativadas e isto é muito grave", disse ela, que apelou para que um novo genocídio como o que seu partido sofreu, não volte a acontecer.

Nesse sentido, as organizações solicitaram aos negociadores de paz do governo e às Farc a criação de uma Comissão de Alto Nível de Garantias de Não Repetição "levando em conta a grave situação de risco que as comunidades enfrentam nos territórios".

A comissão identificará fatores de risco, vigiará o cumprimento das obrigações de proteção do Estado e a implantação de todas as medidas necessárias para perseguir e eliminar o paramilitarismo.

Aída anunciou que espera se reunir nos próximos dias com o corpo diplomático estrangeiro para buscar colaboração na proteção dos direitos humanos nas regiões. "Vamos visitar vários embaixadores amanhã (quarta-feira), mas já tivemos reunião com o embaixador da Noruega e de Cuba", informou. /EFE

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